Startup obtém certificação europeia para comercializar implante que trata a degeneração macular associada à idade
A startup Science Corporation obteve certificação CE e aprovação da FDA para comercializar o Prima, sistema de chip e óculos para tratar a degeneração macular. O dispositivo converte luz infravermelha em impulsos elétricos, permitindo que 27 de 32 pacientes em testes recuperassem a leitura. O lançamento na Alemanha está previsto para setembro
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A startup californiana Science Corporation obteve a certificação CE para comercializar na Europa o Prima, um sistema projetado para tratar a degeneração macular associada à idade. A patologia é a causa principal de cegueira irreversível em idosos, afetando cerca de 200 milhões de pessoas globalmente. Além da etapa europeia, a empresa recebeu aprovação da FDA nos Estados Unidos, o que possibilita a revisão regulatória acelerada para a futura aplicação do tratamento em dois tipos raros de cegueira.
Funcionamento e Tecnologia do Implante
O dispositivo opera por meio de um conjunto composto por óculos e um chip. Os óculos utilizam uma minicâmera para captar imagens do ambiente, transmitindo-as via luz infravermelha para um chip sem fio implantado sob a retina. O componente eletrônico, com dimensões de 2x2 milímetros e espessura de 30 micrômetros — metade de um fio de cabelo —, substitui a função dos fotorreceptores destruídos pela doença, convertendo sinais luminosos em impulsos elétricos decodificáveis pelo cérebro.
A tecnologia permite que a projeção infravermelha seja invisível para as células saudáveis, possibilitando que o paciente integre a visão periférica natural com a nova visão central eletrônica. O chip é alimentado por energia fotovoltaica, utilizando a própria luz que incide nos olhos para ativar microceldas, dispensando cabos ou fontes externas. Atualmente, apenas os óculos dependem de uma bateria externa, limitação que a empresa planeja eliminar em versões futuras.
Resultados Clínicos e Recuperação Visual
Dados publicados na revista New England Journal of Medicine em outubro demonstram a eficácia do sistema. Em um grupo de 32 participantes acompanhados por um ano, 27 recuperaram a capacidade de leitura e 26 apresentaram melhora significativa na acuidade visual. O uso de recursos digitais, como ajuste de brilho, contraste e zoom de até 12 vezes, potencializou os resultados.
Casos concretos registrados durante os testes incluem a leitura de livros, a realização de desenhos complexos, como o Teatro da Ópera de Sydney, e a resolução de sudokus. A implantação do chip ocorre via intervenção ambulatorial de uma hora, seguida por alguns meses de treinamento para a adaptação do paciente, processo similar ao utilizado em implantes cocleares.
Limitações e Evolução do Projeto
Apesar do avanço, o Prima apresenta restrições, como a entrega de imagens apenas em preto e branco, sem escala de cinza, o que prejudica o reconhecimento facial. Para sanar essas falhas, a Science Corporation desenvolve atualizações de software e uma nova geração de chips com pixels de 20 micrômetros e resolução de até 10.000 pontos.
Embora alguns especialistas apontem que a ausência de um grupo placebo no ensaio clínico possa ter inflado o impacto real devido ao fator motivacional, há consenso sobre o salto qualitativo do dispositivo. Diferente de implantes anteriores, que devolviam apenas a sensibilidade à luz, o sistema atual restaura a visão funcional.
Trajetória Corporativa e Mercado
O desenvolvimento do chip resultou de 20 anos de pesquisa conduzida por Daniel Palanker e José-Alain Sahel. A tecnologia era anteriormente gerida pela francesa Pixium Vision, que enfrentava riscos de falência antes de ser adquirida por Max Hodak. Engenheiro biomédico e ex-presidente da Neuralink, Hodak fundou a Science Corporation com o objetivo de criar uma empresa de tecnologia médica sustentável e independente.
A Science Corporation já negocia com fornecedores de saúde na Europa e planeja lançar o dispositivo na Alemanha, onde ocorreram os ensaios clínicos, em setembro. O preço do sistema ainda não foi divulgado.