Ciência

Superfície que muda cor e textura em segundos criada por cientistas da Universidade de Stanford

09 de Março de 2026 às 18:06

Pesquisadores da Universidade de Stanford criaram uma superfície que muda cor e textura em segundos ao entrar em contato com líquidos. Inspirados na capacidade dos polvos, o material alterna entre estados planos e ásperos rapidamente graças a propriedades do composto PEDOT:PSS. O sistema pode ser usado em revestimentos inteligentes, dispositivos vestíveis e superfícies de camuflagem dinâmica

Desenvolvedores da Universidade de Stanford criaram uma superfície capaz de mudar cor e textura em segundos quando entra em contato com líquidos. Inspirados na camuflagem dos polvos, os cientistas buscavam criar um material que pudesse alternar entre estados planos e ásperos rapidamente.

A pesquisa foi motivada por uma pergunta simples: como reproduzir artificialmente a capacidade de um polvo de mudar aparência quase instantaneamente no fundo do mar. A equipe, liderada por Siddharth Doshi, utilizou o polímero PEDOT:PSS, material já aplicado em tecnologias solares e sensores eletrônicos.

Esse composto possui uma característica específica: ele incha quando entra em contato com água e encolhe quando exposto ao álcool. Essa propriedade permite alterar a topografia da superfície, permitindo que os cientistas criassem padrões reversíveis e programáveis.

A equipe depositou uma camada fina do polímero sobre um substrato e aplicou um feixe de elétrons para controlar como diferentes regiões do material respondem aos líquidos. Com essa técnica, eles conseguiram imprimir padrões complexos, incluindo a réplica da topografia do El Capitan.

Além disso, o sistema também permite controlar a cor do material combinando o polímero com camadas metálicas capazes de formar cavidades ópticas. As mudanças de textura e cor ocorrem em menos de dez segundos e podem ser ajustados conforme a espessura do material.

Testes realizados durante o estudo indicaram que o sistema mantém sua eficiência após 250 ciclos de expansão e contração, sugerindo potencial de aplicação em revestimentos inteligentes, dispositivos vestíveis, robótica flexível e superfícies de camuflagem dinâmica.

Embora os avanços sejam significativos, o estudo também aponta limitações da tecnologia. O sistema depende da presença de líquidos para ativação e só consegue exibir um padrão geométrico por vez. No entanto, a equipe indica que futuras versões podem incorporar sinais elétricos e algoritmos de visão computacional.

Segundo Doshi, controlar simultaneamente textura e propriedades ópticas em escala microscópica pode abrir novas possibilidades em áreas como nanofotônica, eletrônica avançada e tecnologias de camuflagem voltadas para humanos e robôs.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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