Ciência

Suplementos de ômega-3 não impedem a perda de volume cerebral em idosos com predisposição ao Alzheimer

04 de Agosto de 2026 às 06:05

Estudo da Universidade do Sul da Califórnia indica que ômega-3 não preserva a cognição de idosos com predisposição ao Alzheimer. Já o uso diário de multivitamínicos pode auxiliar a saúde funcional em adultos acima de 60 anos. Análise do periódico Cell Press Blue sugere que a ingestão reduzida de proteínas pode beneficiar a longevidade

Suplementos de ômega-3 não impedem a perda de volume cerebral em idosos com predisposição ao Alzheimer
Bru-no para Pixabay

O consumo regular de suplementos de ômega-3 e óleo de peixe não impede a perda de volume cerebral nem preserva a cognição em idosos com predisposição ao Alzheimer. A descoberta, publicada na revista eBioMedicine (do grupo The Lancet), contraria a crença popular que impulsiona um mercado de vendas anuais superior a US$ 1 bilhão nos Estados Unidos.

Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia observaram que, embora as substâncias tenham atingido o cérebro, a quantidade foi insuficiente para alterar o desenvolvimento cognitivo. O declínio mental é resultado de uma interação complexa entre genética, idade, ambiente e estilo de vida, tornando a manutenção da saúde cerebral dependente de sono de qualidade, exercícios físicos e alimentação saudável.

Impacto de multivitamínicos e proteínas

Em contrapartida, a manutenção da saúde funcional em adultos com 60 anos ou mais pode ser auxiliada pelo uso diário de multivitamínicos. O dado foi extraído do estudo COSMOS (COcoa Supplement Multivitamins Outcomes Study), que monitorou 16 mil pessoas durante três anos. No experimento, os participantes foram divididos entre grupos que consumiram extrato de cacau, multivitamínicos, a combinação de ambos ou placebos, sendo que o grupo do multivitamínico apresentou índices significativamente superiores.

Riscos do excesso proteico

Outra análise recente, publicada no periódico Cell Press Blue, traz alertas sobre a tendência de consumo de alimentos fortificados com proteínas, como cafés, cereais e águas proteicas. A revisão de mais de 350 artigos sobre envelhecimento e restrição proteica sugere que a ingestão reduzida de proteínas pode proporcionar maiores benefícios à saúde.

Historicamente, a ciência já associava a redução calórica ao aumento da expectativa de vida e à diminuição de riscos de doenças ligadas à idade, a exemplo do câncer. Embora diretrizes alimentares americanas tenham sido atualizadas para recomendar mais proteínas — visando a perda de peso e a redução da perda muscular quando aliadas a atividades físicas —, a nova revisão indica que a moderação nesse nutriente pode ser mais vantajosa para a longevidade.

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