Telescópio Hubble identifica estrutura atmosférica em formato de decágono no polo sul de Saturno
O Telescópio Espacial Hubble identificou um decágono atmosférico de 167.820 km de diâmetro no polo sul de Saturno. A estrutura, que completa uma rotação a cada 800 dias, foi detalhada em estudo da revista *Science Advances
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O Telescópio Espacial Hubble, da NASA, identificou uma estrutura atmosférica inédita no polo sul de Saturno. Trata-se de um decágono gigante, com dez lados, formado dentro de uma corrente atmosférica intensa, conforme detalhado em estudo publicado na revista Science Advances.
A formação geométrica possui aproximadamente 167.820 km de diâmetro, com cada lado medindo cerca de 16.782 km. A estrutura completa uma rotação ao redor do planeta em um ciclo de 800 dias, indicando uma dinâmica interna distinta das camadas superficiais de nuvens.
Processo de descoberta e evolução
A detecção ocorreu graças à inclinação de Saturno, que permitiu a visualização do hemisfério sul a partir da Terra após um longo intervalo. Em 2024, observatórios terrestres notaram ondulações no polo, que se tornaram mais nítidas em 2025. Isso levou a equipe de pesquisadores a reanalisar dados de alta resolução do programa OPAL, do Hubble.
A revisão revelou que o padrão já era visível, embora de forma tênue, em imagens de 2023. A descoberta é significativa porque, desde 1990, buscava-se uma contrapartida ao famoso hexágono do polo norte do planeta. Nem mesmo a missão Cassini, que orbitou Saturno entre 2004 e 2017, havia registrado a existência dessa formação duradoura no sul.
Natureza da estrutura atmosférica
A hipótese científica é que o decágono seja resultado de uma onda que se propaga em uma corrente atmosférica. Simulações com fluxos de águas rasas demonstram que pequenas perturbações podem deformar a corrente até criar padrões poligonais.
Diferente do hexágono setentrional, que se manteve estável por décadas, o decágono apresenta variações de brilho e contraste, sugerindo que a estrutura ainda está em fase de evolução. Análises em diferentes comprimentos de onda indicam que a figura não é superficial, estendendo-se verticalmente por diversos níveis da atmosfera, o que a caracteriza como uma estrutura dinâmica profunda e possivelmente recente.
Próximas etapas da pesquisa
O monitoramento contínuo visa determinar se a geometria do decágono se consolidará ou se irá se desintegrar. Um fator determinante será o aumento da radiação solar, que deve atingir seu pico em torno de 60 graus de latitude sul por volta de 2032.
Para compreender o mecanismo que sustenta essa onda e a razão de seu surgimento tardio, a equipe utilizará:
- Observações futuras do Telescópio Espacial James Webb e do Hubble;
- Modelos computacionais para reconstrução tridimensional de ventos, temperaturas, nuvens e névoas.
A análise da evolução dessa formação pode fornecer novos dados sobre a meteorologia de planetas gigantes e indicar que estruturas poligonais atmosféricas não são eventos isolados no sistema solar.