Ciência

Telescópio Hubble registra a inversão da rotação do cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák

30 de Julho de 2026 às 12:11

O telescópio Hubble registrou a inversão da rotação do cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák em 2017. O fenômeno ocorreu devido a jatos de gás e poeira expelidos pelo núcleo durante a aproximação ao Sol

Telescópio Hubble registra a inversão da rotação do cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák
YouTube/Space Telescope Science Institute

Imagens do telescópio espacial Hubble da NASA registraram um evento inédito para corpos celestes dessa categoria: a inversão da rotação do cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák. O fenômeno, detalhado por David Jewitt em estudo publicado na The Astronomical Journal, demonstra como a atividade de pequenos corpos gelados pode acelerar sua evolução física e alterar drasticamente seu comportamento.

A dinâmica da inversão rotacional

O processo foi monitorado durante a aproximação do objeto ao Sol em 2017. Em março daquele ano, as observações indicavam que o cometa possuía uma rotação relativamente rápida. Contudo, medições realizadas em maio pelo observatório Neil Gehrels Swift apontaram que o período de giro havia se alongado, situando-se entre 46 e 60 horas. Posteriormente, novas imagens do Hubble revelaram que o 41P voltou a girar, mas com um período de aproximadamente 14 horas.

A análise indica que o corpo celeste perdeu velocidade progressivamente até quase parar, iniciando então um movimento na direção oposta. Esse mecanismo é provocado por jatos de gás e poeira que são expelidos da superfície quando os gelos sofrem sublimação — passam do estado sólido para o gasoso — devido ao aquecimento solar.

Impacto da massa e emissões de gás

Com um núcleo de cerca de um quilômetro de diâmetro, o 41P é especialmente vulnerável a forças externas. David Jewitt, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, explica que as emissões de gás funcionam como pequenos propulsores. Quando esses jatos são distribuídos de maneira desigual, criam um efeito de torção que altera a rotação, de forma análoga a empurrar um carrossel na direção contrária ao seu movimento original até que ele inverta o sentido.

Além da mudança rotacional, observou-se uma queda expressiva na atividade do objeto. Enquanto em sua passagem pelo periélio em 2001 a liberação de gás era excepcional, em 2017 essa produção havia diminuído cerca de 10 vezes. Essa redução pode ser resultado do esgotamento de materiais voláteis superficiais ou da formação de camadas de poeira que isolam o núcleo e impedem a saída de gases.

Perspectivas de desintegração

O cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák pertence à família de cometas de Júpiter e teria origem no Cinturão de Kuiper. A influência gravitacional de Júpiter alterou sua trajetória, estabelecendo uma órbita que o traz ao sistema solar interno a cada 5,4 anos.

Apesar de percorrer esse caminho há cerca de 1.500 anos, a integridade do objeto está ameaçada. Modelos baseados na perda de massa e nas forças atuantes sugerem que, se os jatos continuarem a modificar a velocidade de giro, a rotação pode se tornar tão acelerada que as forças centrífugas superariam a baixa gravidade e a resistência estrutural do núcleo. Esse cenário indica que o cometa pode se fragmentar ou se autodestruir em poucas décadas, reduzindo drasticamente sua expectativa de vida, que costuma ser de 1.000 anos para corpos desse tipo.

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