Ciência

Telescópio James Webb detecta composição de metano inédita no cometa 3I/ATLAS

01 de Novembro de 2026 às 12:01 2 min de leitura

Dados do telescópio James Webb indicam que o cometa 3I/ATLAS apresenta composição de metano inédita no Sistema Solar, com proporção de deutério de 3,18%. Estudo na Nature Astronomy e dados da NASA estimam que o objeto tenha entre 10 e 12 bilhões de anos

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Telescópio James Webb detecta composição de metano inédita no cometa 3I/ATLAS
(NASA/ESA/D. Jewitt/UCLA/J. DePasquale/STScI)

Análise de dados do telescópio James Webb revelou que o cometa 3I/ATLAS possui uma composição de metano inédita em relação a qualquer medição registrada no Sistema Solar. A descoberta, detalhada em estudo publicado na Nature Astronomy em 23 de outubro, sugere que o objeto tenha se originado em um ambiente antigo e frio.

A investigação, liderada por Nathan X. Roth, concentrou-se na relação entre o hidrogênio e o deutério — uma variante mais pesada do hidrogênio — presentes no metano liberado pelo cometa. As observações ocorreram no final de dezembro de 2025, momento em que o corpo celeste estava posicionado a uma distância do Sol 2,5 vezes maior que a da Terra.

Composição química e comparações

A análise foi realizada por meio de espectros no infravermelho próximo da coma, a nuvem gasosa que envolve o núcleo do cometa. Esse material é fundamental para compreender as condições químicas do local de origem do objeto. Os resultados apontaram:

  • Proporção de deutério: 3,18% (com margem de 0,30 ponto percentual).
  • Comparativo: O valor é 13 vezes superior ao registrado no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, medido anteriormente pela sonda Rosetta (com incerteza de duas vezes nessa relação).

Tanto no 3I/ATLAS quanto no 67P, o enriquecimento de deutério no metano é maior do que o observado na água, um padrão identificado também no meio interestelar próximo e em outros corpos do Sistema Solar.

Origem e idade do objeto

A composição química indica que os gelos do cometa se formaram em um ambiente interestelar ou nas proximidades de uma estrela em formação, caracterizado por baixa concentração de elementos pesados e intensa exposição a raios cósmicos. Embora os dados sustentem essa hipótese, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessárias medições de metano em outras fontes extrassolares para estabelecer comparações definitivas.

Complementando a análise, a NASA divulgou em junho que a composição de carbono do cometa aponta para uma origem extremamente remota, estimada entre 10 bilhões e 12 bilhões de anos. Essa conclusão baseia-se na escassez de carbono-13, isótopo que tende a se acumular nos sistemas estelares ao longo das gerações de estrelas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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