Ciência

Telescópio James Webb detecta metano e névoa na atmosfera do planeta WD 1856 b

01 de Julho de 2026 às 15:05

O Telescópio James Webb detectou metano e névoa na atmosfera do planeta WD 1856 b, localizado a 80 anos-luz da Terra. Segundo estudo na revista Nature, o corpo celeste orbita uma anã branca e apresenta temperaturas entre 117°C e 139°C

Telescópio James Webb detecta metano e névoa na atmosfera do planeta WD 1856 b
NASA, ESA, CSA e Ralf Crawford/STScI

A análise da atmosfera do planeta WD 1856 b, realizada pelo Telescópio Espacial James Webb, revelou a presença de metano e aerossóis que formam uma camada de névoa, assemelhando-se ao fenômeno observado na lua Titã, de Saturno. Localizado a aproximadamente 80 anos-luz da Terra, o corpo celeste possui uma massa estimada em sete vezes a de Júpiter e orbita uma anã branca, que é o núcleo remanescente de uma estrela.

Os dados, publicados nesta quarta-feira (1) na revista Nature, indicam que a temperatura atmosférica do planeta oscila entre 117°C e 139°C. Esse aquecimento supera significativamente a previsão de -113°C baseada apenas na energia proveniente da estrela, sugerindo que o planeta foi reaquecido durante um processo de mudança de órbita.

A composição atmosférica sugere que o WD 1856 b não foi engolido pela estrela quando esta se tornou uma gigante vermelha. A evidência aponta que o planeta sobreviveu em uma região distante e migrou para a proximidade da anã branca bilhões de anos após a morte da estrela.

O estudo oferece um modelo para compreender o destino de planetas gigantes após o fim da vida de suas estrelas. Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol passará por transformações semelhantes, tornando-se primeiro uma gigante vermelha e, posteriormente, uma anã branca. Embora não seja um destino certo, o caso do WD 1856 b demonstra que Júpiter e outros planetas distantes podem sobreviver a esse ciclo, enfrentando alterações profundas em suas órbitas devido a interações gravitacionais que poderiam empurrá-los para perto do remanescente solar.

Novas medições com o James Webb já foram realizadas para aprofundar a análise das propriedades atmosféricas do planeta.

Notícias Relacionadas