Ciência

Telescópio James Webb identifica nova lua orbitando o planeta Urano

27 de Julho de 2026 às 18:09

O Telescópio Espacial James Webb detectou a lua S/2025 U 1 orbitando Urano, totalizando 29 satélites conhecidos. O corpo celeste possui cerca de 10 km de diâmetro e está localizado a 56.000 km do centro do planeta

Telescópio James Webb identifica nova lua orbitando o planeta Urano
EFE/ESO/L. Calçada/Nick Risinger

O Telescópio Espacial James Webb identificou uma nova lua orbitando Urano, elevando para 29 o total de satélites conhecidos do planeta. O corpo celeste, batizado provisoriamente como S/2025 U 1, foi localizado em uma região complexa, cercado por anéis e outros satélites, o que dificultou sua detecção em missões anteriores.

A descoberta foi viabilizada por meio de observações realizadas em 2 de fevereiro de 2025. A equipe científica, sob a liderança de Maryame El Moutamid, utilizou a câmera de infravermelho próximo NIRCam para capturar 10 imagens de longa exposição. Cada registro teve a duração de 40 minutos, técnica necessária para isolar o sinal fraco do objeto, que estava camuflado pela luminosidade do gigante gelado.

Características e localização do satélite

Com aproximadamente 10 km de diâmetro, a S/2025 U 1 possui dimensões reduzidas, fator que justifica por que a sonda Voyager 2 não a detectou em 1986, nem telescópios terrestres nas décadas seguintes.

Os dados orbitais indicam que a lua está posicionada a cerca de 56.000 km do centro de Urano, situando-se entre as órbitas das luas Bianca e Ofelia. A trajetória do satélite é quase circular e alinhada ao plano equatorial do planeta, evidências que sugerem que sua formação ocorreu na própria região onde se encontra atualmente.

Impacto no estudo do Sistema Solar

A nova lua integra o grupo de pequenos satélites interiores, que orbitam mais próximos de Urano do que as cinco luas maiores: Miranda, Ariel, Umbriel, Titania e Oberón. Esta zona é caracterizada por uma alta densidade de corpos pequenos que interagem gravitatoriamente entre si e com os anéis planetários.

De acordo com Matthew Tiscareno, pesquisador do Instituto SETI, a abundância de luas interiores pequenas em Urano indica um histórico caótico, onde a distinção entre o sistema de anéis e o de luas é tênue. A detecção deste novo objeto é fundamental para:

  • Reconstruir a evolução dos anéis de Urano;
  • Compreender como a fragmentação e as perturbações gravitacionais moldaram o sistema;
  • Analisar o impacto de colisões ao longo de milhões de anos.

A descoberta reforça a probabilidade de existirem outros corpos ainda não detectados ao redor do planeta. O nome oficial da lua será definido pela União Astronômica Internacional, seguindo a tradição de referências a personagens de William Shakespeare ou poesias de Alexander Pope. As etapas seguintes da pesquisa focarão na precisão da órbita, composição e tamanho do satélite para subsidiar futuras missões de exploração.

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