Ciência

Telescópio registra pela primeira vez a presença de pequenos vórtices na superfície do Sol

05 de Agosto de 2026 às 15:01

O telescópio Daniel K. Inouye registrou a instabilidade de Kelvin-Helmholtz na superfície do Sol, identificando vórtices entre 25 e 170 quilômetros. O fenômeno, detalhado na revista Nature, envolve o deslocamento de plasma a até 3 quilômetros por segundo

O telescópio solar Daniel K. Inouye, da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), registrou pela primeira vez a presença de pequenos vórtices na superfície do Sol. Localizado no vulcão Haleakalā, no Havaí, o equipamento captou estruturas que se assemelham a uma "espuma magnética", confirmando a ocorrência de um fenômeno previsto pela física há mais de 150 anos.

A dinâmica da instabilidade de Kelvin-Helmholtz

O fenômeno observado é conhecido como instabilidade de Kelvin-Helmholtz (KHI). Esse processo ocorre quando duas camadas de um fluido deslizam entre si em velocidades distintas, gerando atritos que criam movimentos circulares, semelhantes às ondulações do vento em lagos ou à formação de nuvens em fileiras.

Embora a KHI já tivesse sido identificada em oceanos terrestres, nuvens e na magnetosfera de planetas como Saturno e Júpiter, a observação direta na estrela era impossível devido à baixa resolução dos telescópios anteriores. As estruturas são extremamente reduzidas para a distância entre a Terra e o Sol, medindo apenas algumas dezenas de quilômetros.

Detalhes técnicos e validação

As novas imagens alcançaram uma resolução de 19 quilômetros, permitindo a identificação de vórtices com dimensões entre 25 e 170 quilômetros. Os dados indicam que:

  • As estruturas mantêm um distanciamento médio de 65 quilômetros entre si;
  • O deslocamento ao redor das regiões magnéticas atinge velocidades de até 3 quilômetros por segundo.

Para validar a descoberta, a equipe comparou as imagens com simulações computacionais da atmosfera solar. Os modelos reproduziram dimensões, formatos e movimentos idênticos aos captados pelo telescópio, comprovando que a instabilidade era a causa dos redemoinhos.

Impactos no clima espacial e energia solar

A movimentação desses vórtices promove a mistura do plasma magnetizado com o material circundante, deformando as regiões magnéticas. Esse processo torce as linhas do campo magnético, acumulando energia que pode ser liberada abruptamente.

Essa liberação energética alimenta eventos de clima espacial, como as erupções solares, jatos de plasma e ejeções de massa coronal. Quando tais fenômenos atingem a Terra, podem causar interferências em redes elétricas, sistemas de comunicação, navegação e satélites.

O estudo, publicado nesta quarta-feira (5) na revista Nature, sugere que esses redemoinhos podem ser uma fonte constante de energia, auxiliando a explicar por que a atmosfera externa do Sol apresenta temperaturas superiores às de sua superfície. Embora não sejam apontados como a única causa das explosões solares, os vórtices são peças fundamentais para a compreensão do transporte e dissipação de energia na estrela.

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