Telescópios Hubble e James Webb revelam detalhes inéditos da Nebulosa Cabeça de Gato
Telescópios Hubble e James Webb registraram a Nebulosa Cabeça de Gato, coluna de gás e poeira na Nebulosa de Carina. Imagens divulgadas pela ESA combinam luz visível e infravermelha para detalhar a composição química e a formação estelar da estrutura
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Telescópios Hubble e James Webb capturaram detalhes inéditos de uma estrutura na Nebulosa de Carina, situada a cerca de 7.500 anos-luz da Terra. A formação, apelidada de Nebulosa Cabeça de Gato, consiste em uma coluna de gás e poeira inserida em uma região de nascimento estelar, cujo formato remete a um felino sentado de costas, com a cabeça voltada para a direita e um ponto avermelhado assemelhando-se a um olho.
As imagens, divulgadas pela Agência Espacial Europeia (ESA) na última quinta-feira (29), resultam da combinação de diferentes espectros. O Hubble registrou a luz visível, enquanto o James Webb captou a radiação infravermelha, permitindo a visualização de elementos ocultos sob a poeira cósmica.
Dinâmica de formação e erosão
A morfologia da coluna foi moldada pela radiação ultravioleta e pelos ventos de estrelas massivas vizinhas. A energia e as partículas liberadas por esses astros desgastam o material menos denso, preservando apenas as regiões mais compactas.
No registro do Hubble, a estrutura surge como um pilar escuro envolto por nuvens em tons de azul, ciano, amarelo, laranja e vermelho. Essas cores indicam a presença de hidrogênio, oxigênio e enxofre, além da radiação estelar dispersa. O ponto avermelhado no "olho" do gato sugere a existência de uma estrela jovem envolta em poeira.
Outro elemento observado é uma borda amarelada, característica de gás ionizado por radiação ultravioleta. Esse processo pode gerar a fotoevaporação, fenômeno que aquece o gás e provoca sua dispersão gradual.
Análises infravermelhas e composição química
As observações do James Webb revelaram a complexidade interna da região. No infravermelho próximo, tornaram-se visíveis filamentos de gás e diversas estrelas à esquerda da coluna, incluindo uma estrutura tênue similar a um jato próxima à "barriga" do gato, possivelmente ligada a uma estrela jovem que expele material.
Já o infravermelho médio evidenciou a emissão de moléculas e poeira quente, com destaque para os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). Compostos de carbono e hidrogênio, os HAPs interagem com a luz estelar e delineiam aglomerados de material e filamentos. As variações de cor e brilho nessas imagens indicam mudanças na intensidade da radiação e na composição da poeira, além de diferenças térmicas.
À direita da coluna, identificou-se uma fonte luminosa amarelada que contrasta com o material avermelhado ao redor, atravessada por um filamento estreito de origem e relação ainda desconhecidas.
Natureza transitória da estrutura
A Nebulosa Cabeça de Gato não é permanente. A ação constante dos ventos estelares e da radiação tende a dissipar a poeira e o gás que formam a coluna. O estudo dessas imagens permite a análise das transformações em regiões de formação estelar, auxiliando a compreensão sobre o nascimento e a evolução das estrelas.