Tempestades solares e de poeira podem intensificar o aquecimento da atmosfera de Marte
Estudo de universidades e institutos de astrofísica indica que a combinação de tempestades solares e de poeira pode elevar a temperatura da atmosfera de Marte. Em junho de 2018, esse fenômeno causou um aumento de cerca de 50°C em altitudes entre 75 e 125 km
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A interação entre a atividade solar e as condições climáticas de Marte pode intensificar episódios de aquecimento atmosférico, representando um desafio adicional para a futura exploração e colonização do planeta. Um estudo apresentado na Reunião Nacional de Astronomia de 2026 da Real Sociedade Astronômica revelou que tempestades solares, quando ocorrem simultaneamente a grandes tempestades de poeira, podem alterar a temperatura da atmosfera marciana.
O fenômeno é impulsionado por partículas energéticas liberadas durante ejeções de massa coronal e tempestades solares. Devido à ausência de um campo magnético global intenso e a uma atmosfera extremamente fina, Marte fica vulnerável a essa radiação, que atinge a superfície e as camadas atmosféricas como projéteis.
Análise de dados e a anomalia de 2018
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade de Lancaster, da Universidade de Leicester e do Instituto de Astrofísica da Andaluzia-CSIC examinaram cinco episódios de partículas energéticas solares. A metodologia envolveu a comparação de perfis térmicos de um banco de dados climático de Marte com observações coletadas pela sonda MAVEN da NASA e pelo orbitador Trace Gas Orbiter da Agência Espacial Europeia.
Dos cinco casos analisados, quatro não demonstraram aquecimento evidente. A exceção ocorreu em junho de 2018, período que coincidiu com a expansão de uma tempestade de poeira global — evento que resultou no isolamento do veículo Opportunity. Durante esse episódio, foi registrado um aumento de temperatura de aproximadamente 50°C em altitudes entre 75 e 125 km.
Sinergia climática e riscos para missões
Embora as tempestades de poeira em Marte já sejam conhecidas por aquecer zonas da atmosfera via absorção de luz solar, a equipe de pesquisa identificou que o padrão térmico de 2018 foi atípico e não pode ser justificado apenas pela poeira. Lana Williams, pesquisadora da Universidade de Lancaster, observou que a coincidência entre o aquecimento e a tempestade de poeira sugere que o clima marciano responde a múltiplos eventos combinados, em vez de fontes de calor independentes.
Apesar do achado, os cientistas ressaltam que um único evento não é suficiente para comprovar uma relação direta e definitiva. No entanto, a compreensão dessa dinâmica é considerada crucial para a segurança de missões tripuladas, pois a intensificação do calor atmosférico pode comprometer:
- A estabilidade de equipamentos tecnológicos;
- A eficiência dos sistemas de comunicação;
- A integridade física de astronautas.
O mapeamento de como a radiação solar transforma o ambiente de Marte é, portanto, um passo essencial antes de qualquer tentativa de colonização do planeta.