Ciência

Teoria propõe que orbes de fenômenos não identificados sejam nuvens de pó meteórico ionizado

09 de Julho de 2026 às 06:58

John Birks, professor da Universidade de Colorado em Boulder, propõe que orbes sejam nuvens de pó meteórico ionizado. A teoria, baseada em 508 relatos, correlaciona esses fenômenos a registros de meteoros e detritos de satélites. O Conselho Consultivo Científico dos FANIs comparará o modelo com dados do Pentágono

Teoria propõe que orbes de fenômenos não identificados sejam nuvens de pó meteórico ionizado
DOW/FBI

Uma nova teoria desenvolvida pelo professor emérito de química da Universidade de Colorado em Boulder, John Birks, propõe que os Fenômenos Anormais Não Identificados (FANIs), especificamente os chamados "orbes", sejam, na verdade, nuvens de pó meteórico ionizado. O estudo, enviado para a revista *Atmospheric Chemistry and Physics*, sugere que a estabilização de partículas de ferro, níquel e magnetita provenientes de meteoros criaria um plasma polvoroso capaz de explicar a maioria dos comportamentos observados nesses fenômenos.

A fundamentação do estudo baseia-se na análise de 508 relatos de orbes registrados pelo National UFO Reporting Center (NUFORC). Birks identificou uma correlação estatística superior a 99% entre essas observações e os registros de meteoros da American Meteor Society. De acordo com a proposta, a magnetização remanescente dos metais meteóricos favoreceria a agregação e o confinamento dessas nuvens de pó na atmosfera.

O modelo físico explica a luminosidade e a duração desses objetos — que podem persistir por várias horas — através da oxidação do ferro e do níquel metálicos. Esse processo químico forneceria a energia necessária para a flutuação térmica e a atividade elétrica, gerada por convecção e colisões entre partículas. A intermitência do brilho, característica comum nos relatos, seria resultado de pequenas variações na pressão, umidade ou campo elétrico local, que disparariam descargas elétricas.

A teoria também aborda a dinâmica de fusão e divisão dos orbes. Ligações eletromagnéticas fracas permitiriam que objetos próximos se fundissem, enquanto a turbulência do vento ou o cisalhamento atmosférico poderiam fragmentar um orbe em vários menores. Caso ocorra uma separação parcial de fases durante essa divisão, os fragmentos resultantes poderiam apresentar cores distintas devido a diferentes composições de partículas.

Quanto à aparência, o estudo indica que, durante o dia, esses orbes seriam opacos e teriam cores como branco, cinza ou prateado, dependendo da iluminação e do ângulo de visão. A morfologia do objeto não seria necessariamente esférica, podendo assumir formas discoides ou alongadas devido à rotação e à dinâmica dos ventos. Essa característica explicaria por que alguns objetos diurnos são descritos como "discos voadores".

Essa abordagem científica coincide com lacunas em relatórios oficiais. Em documento assinado por Jon Kosloski, diretor do All-Domain Anomaly Resolution Office (AARO) do Pentágono, foi registrado que, em outubro de 2023, agentes observaram um orbe laranja que liberava esferas menores com duração incompatível com foguetes militares. O AARO estima que 40% dos fenômenos relatados carecem de explicações baseadas em tecnologia humana.

Além do pó meteórico, a pesquisa sugere que os cerca de 11 mil satélites de comunicação em órbita baixa, ao chegarem ao fim de sua vida útil, poderiam gerar detritos com propriedades semelhantes, contribuindo para a formação de orbes.

O Conselho Consultivo Científico dos FANIs agora comparará o modelo de Birks com os dados quantitativos da AARO para verificar se a teoria abrange todas as propriedades observadas. O objetivo é filtrar os casos que podem ser explicados por esse fenômeno atmosférico e isolar anomalias que exijam outras investigações. Há a possibilidade de que a teoria seja testada experimentalmente em laboratório utilizando nanopartículas magnéticas de ferro.

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