Ciência

Terra apresenta transformações opostas na superfície rochosa e no campo gravitacional

19 de Setembro de 2026 às 09:11 3 min de leitura

Estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth indica que a crosta terrestre está se tornando mais arredondada, enquanto o campo gravitacional do planeta tende ao achatamento. O fenômeno ocorre devido ao derretimento de gelos na Antártida e Groenlândia, que eleva o solo polar e redistribui a massa de água para latitudes menores

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Terra apresenta transformações opostas na superfície rochosa e no campo gravitacional
GFZ Potsdam 2005

A Terra apresenta transformações estruturais simultâneas e opostas: enquanto a sua superfície rochosa tende a se tornar mais arredondada, o seu campo gravitacional evolui para um formato mais achatado. A descoberta foi detalhada pelo geólogo Christopher Kotsakis, da Universidade Aristóteles de Salônica, em estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth.

A análise, baseada em medições coletadas ao longo de quase duas décadas, revela que a redistribuição de massa no planeta altera a crosta terrestre e a gravidade de maneiras distintas, com movimentos verticais que variam conforme a latitude.

Dinâmica da crosta e o efeito do gelo

O planeta não possui a forma de uma esfera perfeita devido à sua rotação, que provoca um achatamento nos polos e um leve abaixamento no equador. Essa estrutura é dinâmica, reagindo a mudanças no peso suportado pela superfície. O fenômeno é exemplificado pelo ajuste isostático glacial, no qual terrenos que estiveram sob camadas de gelo recuperam altura após a perda dessa carga.

Embora o último período glacial tenha terminado há aproximadamente 11 mil anos, certas regiões ainda respondem a esse peso. Atualmente, esse processo é intensificado pelo derretimento de gelo na Antártida e na Groenlândia. A remoção do gelo permite que o solo polar suba, enquanto a água resultante se redistribui pelos oceanos, aumentando a pressão em outras áreas do globo.

Evidências de deformação global

Para monitorar essas alterações, Kotsakis utilizou dados de 1997 a 2015 provenientes de uma rede global de estações do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS), que detectam deslocamentos verticais mínimos. Os dados apontaram as seguintes tendências:

  • Regiões polares: A velocidade de subida da crosta, que era de 0,5 milímetro por ano entre 1997 e 2000, saltou para cerca de 1 milímetro por ano em 2015.
  • Região equatorial: Observou-se um afundamento progressivo do terreno.

Esse movimento conjunto indica que a crosta sólida está reduzindo seu achatamento, tornando-se ligeiramente mais esférica.

A contradição do campo gravitacional

Esse comportamento diverge das observações do geoide — a representação da forma do campo gravitacional terrestre baseada na distribuição de massa. Desde o final dos anos 1990, o geoide tem demonstrado uma tendência de maior achatamento, movendo-se na direção oposta à da crosta sólida.

A explicação para essa divergência reside na natureza distinta das respostas físicas. A subida da crosta nos polos ocorre pela remoção da carga de gelo. No entanto, a massa desse gelo derretido, agora em forma de água, desloca-se para latitudes mais baixas. Esse deslocamento de massa dos polos para as zonas próximas ao equador altera a distribuição global, o que favorece o achatamento do campo gravitacional, mesmo enquanto a superfície rochosa se torna menos achatada.

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