Terra atravessa resíduos de explosão estelar ocorrida há mais de 100 milhões de anos
Estudo publicado na Nature Astronomy indica que a Terra atravessa resíduos de uma explosão estelar ocorrida há mais de 100 milhões de anos. A descoberta baseia-se na detecção de plutônio-244 em amostras de ferro-manganês do oceano Pacífico. A principal hipótese para a origem do material é uma kilonova
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A Terra atravessa atualmente os remanescentes de uma explosão estelar ocorrida há mais de 100 milhões de anos, conforme indica um estudo publicado na Nature Astronomy. A descoberta baseia-se na detecção de átomos de plutônio-244, um isótopo radioativo raro, em amostras de ferro-manganês coletadas a 4.830 metros de profundidade no oceano Pacífico.
A presença desse material é significativa porque o plutônio-244 possui uma meia-vida de 81 milhões de anos. Devido a esse intervalo, qualquer quantidade do isótopo que tivesse se originado durante a formação do sistema solar já teria desaparecido, o que comprova que o elemento chegou ao planeta posteriormente, vindo do espaço interestelar.
As camadas de ferro-manganês no leito marinho atuam como registros históricos, acumulando partículas lentamente ao longo de milhões de anos enquanto o sistema solar se desloca pela galáxia. Para compreender a origem do material, pesquisadores do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, sob a liderança de Dominik Koll e Anton Wallner, compararam o plutônio com o ferro-60. Enquanto o ferro-60 está vinculado a supernovas convencionais ocorridas há aproximadamente 2 e 7 milhões de anos, o plutônio-244 apresenta uma distribuição uniforme nas camadas, indicando a chegada contínua de resíduos de uma fonte muito mais antiga.
A datação desse evento foi refinada pela análise do cúrio-247. Ambos os elementos são criados simultaneamente em processos de captura rápida de nêutrons, responsáveis pelos componentes mais pesados do universo. Contudo, a ausência de cúrio interestelar na amostra permite delimitar a janela temporal da explosão: o evento ocorreu há menos de 1 bilhão de anos, pois, se fosse mais antigo, o próprio plutônio-244 seria indetectável. Michael Hotchkis, da Australian Nuclear Science and Technology Organisation, aponta que a principal hipótese para a origem desse pó radioativo é uma kilonova, resultado da colisão entre estrelas de nêutrons.