Ciência

Tirzepatida apresenta menor incidência de comprometimento cognitivo leve do que a semaglutida em pacientes diabéticos

12 de Junho de 2026 às 12:07

Estudo publicado no Journal of Diabetes and Its Complications indica que a tirzepatida reduziu a incidência de comprometimento cognitivo leve em adultos com diabetes tipo 2 comparada à semaglutida. A análise retrospectiva com mais de 88 mil pacientes sugere que a ação da tirzepatida em duas vias hormonais difere do efeito da semaglutida

Tirzepatida apresenta menor incidência de comprometimento cognitivo leve do que a semaglutida em pacientes diabéticos
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A utilização de medicamentos voltados ao tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, como a tirzepatida e a semaglutida, tem despertado interesse científico devido ao potencial de proteção cerebral. A hipótese baseia-se na sobreposição de vias biológicas entre as doenças metabólicas e as neurodegenerativas, uma vez que o diabetes tipo 2 eleva o risco de demência e declínio cognitivo.

Um estudo de coorte retrospectivo, publicado no *Journal of Diabetes and Its Complications*, comparou o impacto dessas substâncias em adultos com diabetes tipo 2. A análise utilizou registros eletrônicos de saúde de uma rede internacional de pesquisa, pareando mais de 44 mil pacientes em cada grupo para observar a incidência de doença de Alzheimer, demência e comprometimento cognitivo leve.

Os resultados indicaram que pacientes que iniciaram o tratamento com tirzepatida apresentaram uma menor incidência de comprometimento cognitivo leve em comparação aos que utilizaram semaglutida. Essa diferença pode estar relacionada ao mecanismo de ação da tirzepatida, que atua em duas vias hormonais do metabolismo (GLP-1 e GIP), enquanto a semaglutida foca apenas no GLP-1.

Essa descoberta contrasta com os ensaios clínicos EVOKE e EVOKE+, que testaram a semaglutida oral em mais de 3.800 pessoas com Alzheimer em estágio inicial e não encontraram benefícios significativos na desaceleração do declínio cognitivo. A disparidade sugere que a janela de oportunidade para intervenções metabólicas pode ocorrer antes da instalação da demência, em etapas onde a saúde vascular, a inflamação e a resistência à insulina ainda exercem maior influência sobre a trajetória cognitiva.

Embora o estudo identifique associações, por ser observacional, ele não comprova causa e efeito, nem indica que a tirzepatida previna a doença de Alzheimer ou que deva ser usada para a proteção da memória. O achado reforça a necessidade de avaliar as terapias baseadas em incretinas individualmente, já que a dupla ação da tirzepatida pode influenciar caminhos biológicos de forma distinta da semaglutida.

A investigação sublinha a interconexão entre a saúde metabólica, cardiovascular e a cognição, indicando que a prevenção da demência pode depender de uma visão sistêmica do organismo. Para confirmar se a tirzepatida consegue influenciar desfechos cognitivos de longo prazo, serão necessários novos ensaios clínicos randomizados.

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