Ciência

Trabalhadores do Ipen se envolvem em incidente com material radioativo no campus da USP

12 de Junho de 2026 às 15:16

Dois funcionários do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares tiveram contato com tecnécio-99 em 29 de maio, durante a retirada de sensores de uma autoclave. Exames descartaram a contaminação interna dos profissionais. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear notificou a instituição para cumprir exigências regulatórias até junho de 2026

Trabalhadores do Ipen se envolvem em incidente com material radioativo no campus da USP
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Dois trabalhadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP), estiveram envolvidos em um incidente com material radioativo no dia 29 de maio. A ocorrência foi confirmada na noite de quinta-feira (11/6) pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

O episódio ocorreu no Centro de Radiofarmácia do instituto durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave, equipamento empregado na fabricação de radiofármacos destinados a terapias oncológicas e exames de diagnóstico. Na ocasião, foram detectados traços de tecnécio-99.

Os profissionais, classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs), passaram por exames de Contador de Corpo Inteiro. Os resultados indicaram contagens baixas, descartando a contaminação interna dos trabalhadores e restringindo a exposição à área controlada da unidade.

O Centro de Radiofarmácia do Ipen é responsável pelo fornecimento de insumos para 430 hospitais e clínicas em todo o Brasil, viabilizando cerca de 2 milhões de procedimentos médicos anualmente. O tecnécio-99m, isótopo de vida curta derivado do tecnécio-99, é o marcador radioativo mais utilizado globalmente para diagnósticos por imagem, sendo injetado em pacientes para a formação de imagens via câmeras especiais. Enquanto o isótopo médico é transitório no organismo e no ambiente, o tecnécio-99 é produzido em reatores nucleares ou como subproduto de explosões de armas nucleares, ocorrendo naturalmente em volumes reduzidos na crosta terrestre.

O relatório interno sobre o caso foi encaminhado para a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O órgão informou que a Radiofarmácia do Ipen mantém sua autorização de operação, mas expediu uma notificação com prazo até 18 de junho de 2026 para o cumprimento de exigências regulatórias. Eventuais medidas complementares aguardam a análise técnica de documentos e informações apresentados pelo instituto, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A divulgação do incidente aconteceu após a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) e o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) solicitarem informações oficiais à direção da instituição e à CNEN sobre o ocorrido e as providências tomadas.

Com informações de G1

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