Ciência

Tratamento personalizado estabiliza quadro de paciente com variante rara de esclerose lateral amiotrófica

22 de Setembro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

Paciente com variante rara de esclerose lateral amiotrófica manteve estabilidade clínica e atividade profissional após um ano de tratamento com o medicamento nL-CHCHD-001. O estudo, publicado na revista Med, registrou queda de 50% na proteína NfL e aumento da capacidade vital pulmonar de 48% para 55%

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Um paciente com uma variante rara de esclerose lateral amiotrófica (ELA) apresentou estabilidade clínica e manteve sua atividade profissional um ano após iniciar um tratamento personalizado. O caso, detalhado em publicação do dia 14 de setembro na revista científica Med, focou em um indivíduo com a mutação no gene CHCHD10, condição que afeta menos de 1% dos pacientes com a forma hereditária da doença.

A abordagem terapêutica personalizada

O tratamento consistiu na aplicação de seis injeções do medicamento nL-CHCHD-001 ao longo de doze meses. A substância é classificada como um oligonucleotídeo antissenso (ASO), um fragmento de material genético projetado para se acoplar ao RNA do gene CHCHD10.

Diferente da terapia gênica, o ASO não altera o DNA do paciente. Ele atua como um molde que, ao se encaixar no RNA, estimula uma enzima celular a cortar essa molécula, reduzindo a produção da proteína correspondente. No caso específico deste paciente, a mutação p.Arg15Leu substitui o aminoácido arginina pela leucina na posição 15, o que gera a hipótese de que a proteína resultante exerça um efeito tóxico sobre os neurônios.

Como o paciente possui a herança dominante — onde apenas uma cópia alterada do gene é suficiente para manifestar a patologia —, o medicamento reduziu a produção de proteína de ambas as cópias do gene, tanto da saudável quanto da mutada.

Indicadores de estabilidade e melhora

A resposta ao tratamento foi monitorada por meio de marcadores biológicos e testes funcionais:

  • Marcadores sanguíneos: A proteína cadeia leve de neurofilamento (NfL), liberada por neurônios lesionados, apresentou queda de aproximadamente 50%, retornando aos níveis de referência laboratoriais.
  • Capacidade respiratória: O volume de ar mobilizado pelos pulmões, a capacidade vital, subiu de 48% para 55% do valor previsto.
  • Funcionalidade: Na Escala de Avaliação Funcional da ELA, que monitora a fala, a deglutição, a respiração e a locomoção, a pontuação do paciente subiu de 33 para 36 pontos (em uma escala de 0 a 48).
  • Qualidade de vida: Os índices de cognição e bem-estar geral permaneceram estáveis.

O neurologista Björn Oskarsson, da Clínica Mayo e coautor do estudo, ressaltou que, embora algumas pessoas com ELA possam apresentar melhoras transitórias sem intervenção, a manutenção de uma estabilidade sustentada é incomum.

Perspectivas para a medicina de precisão

O resultado demonstra a viabilidade de converter um diagnóstico genético em um fármaco sob medida. No entanto, os autores do estudo enfatizam que o tratamento segue em fase de pesquisa, sendo necessárias novas avaliações para determinar a durabilidade dos efeitos e o tempo de estabilidade da doença sob a medicação.

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