Ciência

Troncos fossilizados na Alemanha revelam a evolução geológica da região ao longo de 300 milhões de anos

03 de Agosto de 2026 às 06:13

Troncos fossilizados do período Carbonífero encontrados na Alemanha permitiram a reconstrução de uma cronologia geológica de 300 milhões de anos. A pesquisa coordenada pela Universidade de Münster identificou cinco gerações de mineralização por meio de técnicas como a datação urânio-chumbo. Os dados comprovam a elevação geológica da região após os fósseis terem sido enterrados a profundidades de até 5,5 quilômetros

Troncos fossilizados na Alemanha revelam a evolução geológica da região ao longo de 300 milhões de anos
Steffen Trümper

Troncos fossilizados encontrados nas montanhas de Kyffhäuser, no norte da Alemanha, permitiram a reconstrução de uma cronologia geológica de aproximadamente 300 milhões de anos. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, identificou que a madeira petrificada funciona como um registro dos processos que transformaram a região desde a era do supercontinente Pangeia.

A pesquisa, coordenada pelo geólogo Steffen Trümper, da Universidade de Münster, analisou árvores do período Carbonífero. Naquela época, a região possuía um clima tropical próximo ao equador, onde cheias de rios soterravam a vegetação sob camadas de sedimentos, iniciando o processo de preservação.

Processo de mineralização e transformações químicas

Diferente de fósseis convencionais, esses exemplares passaram por sucessivas alterações químicas. O tecido vegetal original foi substituído por diferentes tipos de quartzo em etapas distintas, criando camadas de informações que documentam as mudanças da bacia sedimentar ao longo de milhões de anos.

A equipe identificou cinco gerações de mineralização, uma sequência inédita para esse tipo de material. O ciclo começou entre 304 e 299 milhões de anos atrás, quando a penetração de ácido silícico preservou a estrutura celular da madeira. Posteriormente, variações de temperatura e pressão alteraram essa silicificação inicial, gerando novas formas de quartzo vinculadas a condições geológicas específicas.

Metodologias e a precisão do relógio geológico

Para mapear essa evolução, foram aplicadas diversas técnicas científicas:

  • Análise de fluidos e catodoluminescência do quartzo;
  • Estudos isotópicos de silício e oxigênio;
  • Microscopia eletrônica;
  • Datação via sistema urânio-chumbo.

Um ponto central da descoberta foi a observação de que o "relógio geológico" do urânio-chumbo, iniciado na mineralização do Carbonífero tardio, não foi totalmente reiniciado durante as transformações subsequentes. Esse fenômeno permitiu que os pesquisadores datassem com precisão as diferentes fases de evolução da bacia.

Dinâmica tectônica e profundidade

Os dados revelaram a movimentação vertical dos fósseis ao longo do tempo. Em determinado estágio, os troncos foram enterrados a profundidades entre 3 e 5,5 quilômetros, enfrentando temperaturas que oscilaram entre 160 e 240 graus. O fato de esses fósseis estarem atualmente na superfície comprova que a região passou por um processo de elevação geológica após milhões de anos de soterramento.

A descoberta indica que pequenos fragmentos de madeira fossilizada podem encapsular a história geológica de regiões inteiras. Devido à presença global desse tipo de material, a técnica agora serve como ferramenta para monitorar a evolução dos continentes e reconstruir eventos tectônicos com maior detalhamento.

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