Ciência

UFPA obtém patente de motor de rabeta elétrico para transporte fluvial na Amazônia

08 de Novembro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

A UFPA patenteou junto ao Inpi um motor de rabeta elétrico com bateria recarregável e caixa de redução. O sistema atingiu velocidade máxima de 14,1 km/h e autonomia de até 60 minutos em testes na Ilha das Onças. A tecnologia prevê recarga via estações solares para transporte fluvial na Amazônia

-0:00
UFPA obtém patente de motor de rabeta elétrico para transporte fluvial na Amazônia
Rabetas convencionais, a gasolina, em rio do Pará: é esse motor que a invenção da UFPA quer substituir. Foto: Filipe Bispo/O Liberal (Reprodução/O Liberal)

A Universidade Federal do Pará (UFPA) obteve, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), a patente de um motor de rabeta elétrico com bateria recarregável. Desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae), o Sistema de Propulsão Elétrico Tipo Rabeta com Caixa de Redução (registro BR 102025013842-5) surge como uma alternativa sustentável aos motores a combustão que predominam no transporte fluvial da Amazônia.

Tecnologia e Desempenho

O diferencial técnico desta versão patenteada é a implementação de uma caixa de redução, que utiliza polias e correia para conectar o eixo do motor elétrico ao da rabeta. Esse mecanismo otimiza a relação entre torque e velocidade, permitindo que o sistema opere em sua faixa de máxima eficiência, evitando o superaquecimento do controlador e do motor.

Além da eficiência energética, a correia atua como proteção mecânica: em caso de impacto da hélice com troncos ou vegetação submersa, o componente desliza, evitando danos ao motor. O sistema também reduz a vibração e a poluição sonora.

Em testes realizados com embarcações de alumínio e madeira na Ilha das Onças, em Barcarena, o protótipo apresentou:

  • Velocidade média: 10,6 km/h;
  • Velocidade máxima: 14,1 km/h;
  • Autonomia: entre 45 e 60 minutos por carga.

O desempenho é comparável ao de motores convencionais de 4,5 a 6,5 cavalos-vapor (HP), porém com a vantagem de oferecer marcha à ré e resposta imediata de torque. A instalação e o comando de direção permanecem idênticos aos modelos tradicionais, permitindo a transferência do motor entre diferentes barcos sem a necessidade de novo treinamento para o piloto.

Sustentabilidade e Infraestrutura de Recarga

A proposta visa atender deslocamentos locais, transporte de passageiros, produtos e a pesca artesanal. O sistema elimina a emissão de CO2 e gases de efeito estufa, além de extinguir o risco de vazamento de óleo e gasolina nos igarapés.

Para a alimentação do sistema, a UFPA prevê a utilização de estações de recarga solar, que podem operar conectadas à rede elétrica ou de forma autônoma via painéis fotovoltaicos e baterias de lítio. Esse modelo de pontos comunitários de energia é essencial para populações ribeirinhas isoladas. Na Ilha das Onças, o Gedae já implementou uma rede solar que atende uma igreja e 11 residências, com previsão para recarga de embarcações elétricas.

Impactos Econômicos e Implementação

A substituição do combustível fóssil por energia solar reduz custos recorrentes com lubrificantes e gasolina, além de simplificar a manutenção, já que as polias e correias são componentes comerciais de fácil substituição. A expectativa é que a tecnologia barateie a logística de transporte de pescado e açaí na Região Norte.

Embora a patente já tenha sido concedida, a UFPA ainda não definiu a data de chegada do produto às comunidades. A viabilização do projeto depende agora de parcerias com empresas para a produção em escala e a criação de soluções financeiras que tornem o investimento acessível aos usuários finais.

Notícias Relacionadas