Ciência

Um em cada quatro adolescentes no mundo não pratica atividade física semanalmente, indica estudo

06 de Novembro de 2026 às 06:01 4 min de leitura

Cerca de 240 milhões de jovens de 11 a 17 anos não praticam atividade física diariamente, segundo a revista The Lancet Global Health. O estudo em 140 países aponta que meninas são mais sedentárias que meninos, com disparidade acentuada no Brasil. A média global de dias ativos é de 2,7 por semana, indicando que a meta de redução da inatividade para 2030 não será atingida

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Um em cada quatro adolescentes no mundo não pratica atividade física semanalmente, indica estudo
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Cerca de 240 milhões de jovens, o que representa um em cada quatro adolescentes no mundo, não realizam ao menos 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. Os dados, publicados na revista The Lancet Global Health, revelam que os níveis de exercício entre jovens de 11 a 17 anos permaneceram praticamente estáveis nos últimos 15 anos, apesar de diversas iniciativas globais para reverter esse quadro.

O estudo analisou informações de 3,2 milhões de adolescentes em 140 países e indica que nenhum deles está no caminho para atingir a meta de redução da inatividade física estabelecida para 2030. Em 2025, a média global de dias com pelo menos uma hora de atividade de intensidade moderada a vigorosa foi de apenas 2,7 por semana, e somente 13,9% dos jovens conseguiram manter esse ritmo nos sete dias da semana.

Desigualdade de gênero e o cenário brasileiro

Um dos pontos centrais da pesquisa é a disparidade entre sexos. Em todas as regiões estudadas, as meninas apresentam níveis de atividade física inferiores aos dos meninos. Em 2025, 28,4% das adolescentes relataram sedentarismo total durante a semana, enquanto entre os meninos esse índice foi de 21,7%.

O Brasil se destaca como um dos países onde essa diferença é mais acentuada. No território brasileiro, a proporção de meninas que não registraram nenhum dia ativo na semana é pelo menos 15 pontos percentuais maior do que a dos meninos. Além disso, os rapazes brasileiros relatam, em média, de 1,1 a 1,2 dia ativo a mais por semana do que as meninas.

Os pesquisadores atribuem esse cenário a barreiras como normas de gênero restritivas, preocupações com a segurança e a escassez de oportunidades adequadas às preferências do público feminino.

Impacto da idade e disparidades regionais

A tendência de queda na prática de exercícios acentua-se com o avanço da idade, especialmente para as meninas. Globalmente, a média de dias ativos cai de 2,6, aos 11 anos, para 2,2, aos 17 anos. Entre os meninos, a variação é menor, mantendo-se entre 2,9 e 3,0 dias no mesmo período.

A desigualdade também é geográfica e econômica:

  • Regiões de alta renda: Europa Central e Oriental, Ásia Central, Leste Asiático, Pacífico e regiões ocidentais de alta renda registraram médias entre 3,8 e 4,1 dias ativos por semana.
  • Regiões de baixa e média renda: As médias variaram entre 2,2 e 2,7 dias. Na América Latina e Caribe, 22,7% dos adolescentes não praticaram atividades físicas em nenhum dia da semana, enquanto no Sul e Sudeste Asiático esse índice chegou a 33,1%.

Em termos de países, a Sérvia, o Canadá, a Irlanda, o Cazaquistão e a Finlândia apresentaram as maiores médias (entre 4,5 e 4,8 dias). Já as menores médias (1,7 a 1,9 dias) foram encontradas em nações como Camboja, Filipinas, Vietnã, Nepal, Gabão, Libéria, Madagascar, Mauritânia, Jordânia e Timor-Leste.

Metas globais e recomendações de saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que adolescentes pratiquem, em média, 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa. Embora a meta global de 2030 vise reduzir em 15% a inatividade física (tomando 2010 como base), as projeções indicam que a proporção de jovens com menos de sete dias ativos permanecerá em 86,1%, longe do objetivo de 73,1%.

A prática regular é fundamental para a prevenção de doenças cardíacas, diabetes, obesidade e para a promoção da saúde mental.

Estratégias para reversão do quadro

Para os autores do estudo, a mudança de comportamento individual não é suficiente. É necessária a implementação de políticas públicas que enfrentem obstáculos sociais, ambientais e econômicos. As recomendações incluem:

  • Criação de ambientes favoráveis em escolas e bairros;
  • Ampliação de infraestrutura para caminhadas e uso de bicicletas;
  • Políticas específicas de gênero para ampliar o acesso de meninas ao esporte;
  • Inclusão dos próprios adolescentes na elaboração das estratégias.

O levantamento, financiado pela Fundação da OMS, pela Comissão Europeia e pelo Ministério da Saúde Pública do Catar, ressalta que, embora a tecnologia digital tenha crescido no período, os níveis de atividade física não pioraram, mas sim estagnaram em patamares baixos.

Com informações de G1

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