Ciência

Universidade de Alicante desenvolve dispositivo eletromagnético para afastar águas-vivas de áreas costeiras e praias

20 de Junho de 2026 às 06:36

Pesquisadores da Universidade de Alicante criaram um dispositivo eletromagnético que afasta águas-vivas de áreas costeiras ao reduzir a frequência de seus movimentos. O sistema utiliza boias com emissores que não causam danos biológicos e possui pedido de patente para futura exploração comercial

Universidade de Alicante desenvolve dispositivo eletromagnético para afastar águas-vivas de áreas costeiras e praias
EFE/Armada de Chile

Pesquisadores do Laboratório Marinho da Universidade de Alicante desenvolveram um dispositivo eletromagnético projetado para afastar águas-vivas de áreas costeiras, instalações de aquicultura, plantas de dessalinização e praias. A tecnologia surge como alternativa às barreiras físicas e redes tradicionais, que demandam manutenção constante, acumulam detritos marinhos e podem interferir no deslocamento de outras espécies.

O funcionamento do sistema baseia-se na interferência do campo eletromagnético sobre a locomoção dos organismos. Como as águas-vivas se movem por meio de contrações rítmicas da campânula, as ondas emitidas pelo dispositivo reduzem temporariamente a frequência desses movimentos. Com a diminuição da capacidade de propulsão, as correntes marinhas naturalmente afastam os animais das zonas protegidas.

A estrutura consiste em uma boia flutuante que concentra as fontes de energia e os componentes eletrônicos, conectada a uma corrente com peso para garantir a verticalidade. Bobinas e emissores são distribuídos em diferentes profundidades para projetar as ondas no ambiente circundante.

O método é reversível e não causa danos biológicos, permitindo que as águas-vivas recuperem a mobilidade total assim que saem do raio de alcance do equipamento. Essa característica torna a solução sustentável e inofensiva ao ecossistema, evitando a geração de resíduos.

Desenvolvida no contexto da Cátedra Interuniversitária do Mar e da Sustentabilidade do Setor Náutico, a inovação apresenta custos previstos menores e facilidade de reparo, já que os componentes principais estão integrados à boia. O projeto já possui pedido de patente e a Oficina de Transferência de Resultados de Pesquisa da Universidade de Alicante busca agora parcerias com empresas para a exploração comercial via licenças e projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (I+D).

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