Universidade de Kiel desenvolve material que extrai água potável do ar em baixa umidade
Pesquisadores da Universidade de Kiel criaram o CAU-10-H, material poroso que extrai água do ar com umidade inferior a 18%. O composto produz até 1,8 litros de água diários por quilograma através de aquecimento solar ou industrial. A tecnologia, que também atua como refrigerante, já teve 30 quilogramas produzidos com custo estimado entre 12 e 14 dólares por quilo
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F9af%2Fdc0%2Fa72%2F9afdc0a72a0c563b6cb11796d228c99c.jpg)
Químicos da Universidade de Kiel, na Alemanha, desenvolveram um material poroso capaz de extrair água potável do ar, mesmo em cenários de baixa umidade. O composto, denominado CAU-10-H, foi projetado para enfrentar a escassez hídrica em regiões como o Mediterrâneo, onde o aumento das temperaturas e a redução das chuvas têm prolongado os períodos de seca no norte da África e no sul da Europa.
Tecnologia de captura molecular
O CAU-10-H integra a família das estruturas metal-orgânicas (MOF), compostos caracterizados por poros microscópicos que funcionam como esponjas moleculares. Enquanto a maioria dos absorventes de umidade exige ar relativamente úmido, este material inicia a captura de moléculas de água à temperatura ambiente quando a umidade relativa está abaixo de 18%.
Em condições de ar seco, o composto absorve 0,17 gramas de água por grama de material. Na prática, essa eficiência permite a projeção de 1,8 litros de água por dia para cada quilograma do composto, tornando-o viável para a produção de água potável em zonas áridas.
Processo de extração e eficiência energética
A liberação da água capturada ocorre através do aquecimento do material a aproximadamente 70°C. Esse processo dispensa o uso de eletricidade onerosa, podendo ser alimentado por calor solar ou calor residual industrial.
Para otimizar a operação, a equipe de pesquisadores integrou o material a estruturas de carbono condutor, o que acelerou o ciclo de funcionamento para apenas algumas horas. O estudo, conduzido por Norbert Stock e Lasse Wegner, foi detalhado em artigos publicados nas revistas Journal of Materials Chemistry A e Industrial & Engineering Chemistry Research.
Versatilidade e aplicações industriais
Além da extração de água, o CAU-10-H apresenta aplicação como refrigerante. Em sistemas de refrigeração por adsorção, o material triplica o desempenho da sílica gel, o padrão de desecante utilizado há décadas. Essa característica permite resfriar ambientes utilizando calor residual de fontes como fornos de padaria ou centros de dados, sem elevar a carga elétrica de sistemas de ar condicionado convencionais.
Viabilidade comercial e escala de produção
Diferente de muitos projetos que permanecem em fase laboratorial, o CAU-10-H já possui um plano de escalonamento. Com o suporte do fundo de validação da Universidade de Kiel, os pesquisadores produziram 30 quilogramas do material — volume 60 vezes superior aos lotes anteriores.
O custo de produção estimado situa-se entre 12 e 14 dólares por quilograma. A nomenclatura do material reflete sua origem: "CAU" refere-se à Christian-Albrechts-Universität zu Kiel, "10" indica sua posição no catálogo de compostos da instituição e "H" representa o grupo químico de hidrogênio utilizado na síntese.
O desenvolvimento segue a tendência global de estruturas MOF, campo que rendeu o Prêmio Nobel de Química em 2025 a Omar Yaghi, cujas soluções comerciais, como as da empresa Atoco, operam em escala de contêineres para extrair até 1.000 litros diários em desertos. O CAU-10-H posiciona-se como uma alternativa eficiente para baixa temperatura e baixa umidade, aguardando testes externos para validar a transição definitiva do laboratório para o mercado.