Ciência

Universidade de Yale desenvolve técnica para eliminar substâncias químicas persistentes de solos agrícolas

03 de Agosto de 2026 às 18:08

Pesquisadores da Universidade de Yale criaram um método para remover PFAS de solos agrícolas usando minerais alcalinos, vegetação e pirólise. A técnica reduz o custo de remediação para cerca de 1.460 euros por hectare, visando recuperar 1,2 milhão de hectares afetados nos Estados Unidos

Universidade de Yale desenvolve técnica para eliminar substâncias químicas persistentes de solos agrícolas
Reuters/Stephane Mahe

Pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveram uma técnica para eliminar substâncias químicas persistentes, conhecidas como PFAS, de solos agrícolas sem comprometer a camada fértil da terra. O método, detalhado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), combina o uso de minerais alcalinos, vegetação específica e tratamento térmico da biomassa.

A solução visa mitigar os danos causados por décadas de uso de lodo de estações de tratamento de água como fertilizante. Esse material, comercializado como fonte econômica de nutrientes, continha substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas. Devido à forte ligação entre carbono e flúor, esses compostos demoram milhares de anos para se degradar, podendo migrar para rios ou serem absorvidos por plantações, integrando-se à cadeia alimentar.

Impacto na agricultura e escala do problema

A contaminação atinge severamente pequenos produtores e agricultores orgânicos, que aplicaram esses fertilizantes antes que a gravidade da situação fosse compreendida. De acordo com Jake Thompson, autor principal do estudo e pesquisador associado de Yale, a estimativa é que cerca de 1,2 milhão de hectares de plantações nos Estados Unidos estejam significativamente afetados.

Funcionamento do processo de remediação

O protocolo de recuperação inicia-se com a aplicação de rocha alcalina triturada, como calcário ou basalto, sobre a área contaminada. Essa medida eleva o pH do solo para aproximadamente sete, o que facilita a mobilização e a absorção de compostos como PFOA e PFOS por plantas específicas.

Na sequência, são cultivadas gramíneas perenes ou cânhamo, espécies de crescimento rápido que acumulam os contaminantes em seus tecidos, preservando a aptidão agrícola do terreno. Após a colheita, a biomassa passa por um processo de pirólise — tratamento térmico na ausência de oxigênio — para a produção de biocarvão.

Para viabilizar a operação, os pesquisadores sugerem a utilização de unidades móveis ou instalações fixas próximas às propriedades rurais. No entanto, o estudo ressalta a necessidade de monitorar as temperaturas do processo, já que evidências indicam que são necessários ao menos 800 °C para reduzir drasticamente a presença dos PFAS.

Viabilidade econômica e benefícios ambientais

O novo modelo apresenta uma redução drástica de custos em comparação às técnicas tradicionais, que exigem a escavação do solo ou processos de queima, custando entre 800 mil e 1,6 milhão de euros por hectare. A proposta de Yale reduz esse gasto anual para aproximadamente 1.460 euros por hectare.

Mesmo em um cenário de tratamento contínuo por 20 anos, o custo total — incluindo a compensação por perdas na produção agrícola — superaria levemente os 29 mil euros por hectare.

Além da descontaminação, o sistema promove a saúde do solo e a captura de carbono. Através da produção de biocarvão e da aceleração da meteorização das rochas, estima-se que a aplicação do método em escala nacional poderia retirar 10,5 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono da atmosfera anualmente. Para Thompson, a estratégia oferece um caminho concreto para que agricultores recuperem suas terras, deixando o solo em condições superiores às originais.

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