Universidade holandesa desenvolve sistema de cultivo que produz 100 kg de tomates por metro quadrado
A Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen desenvolveu um sistema de cultivo de tomates em estufas que produz 100 kg por metro quadrado ao ano. A tecnologia utiliza sensores, algoritmos e controle de luz para otimizar a produção e a reutilização de água
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A Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, desenvolveu um sistema de cultivo de tomates em estufas de alta tecnologia que alcança a produtividade de 100 kg por metro quadrado ao ano. O volume é cinco vezes superior ao registrado em estufas de baixa tecnologia na América Latina, onde a média gira em torno de 20 kg por metro quadrado.
O modelo de produção baseia-se no monitoramento rigoroso de variáveis por meio de sensores e algoritmos de inteligência artificial. O sistema controla desde os níveis de gás até a cor da luz, permitindo moldar a planta para a produção de compostos específicos. O uso de luzes vermelhas, por exemplo, ativa a produção de licopeno e antocianinas, enquanto a variação entre luzes azuis e vermelhas é utilizada para ajustar os níveis de amido e açúcar.
A eficiência do sistema também se reflete no uso de recursos. O cultivo em substratos substituiu o uso direto da terra, possibilitando a reutilização quase total da água de irrigação e um controle preciso do fornecimento de nutrientes. Atualmente, as pesquisas em Wageningen avançam para a criação de sistemas autônomos que integram sensores climáticos e fisiológicos a modelos de simulação de crescimento, além do desenvolvimento de fazendas verticais em ambientes fechados, independentes da luz solar.
Um dos principais gargalos tecnológicos é o alto consumo de energia necessário para aquecer as estufas em climas frios. Para mitigar isso, estudos buscam transformar as plantas em "baterias", aproveitando a capacidade natural de acumular reservas de açúcar em dias ensolarados para suportar períodos de frio, otimizando assim o uso de eletricidade renovável.
Além da horticultura, a inovação se estende à pecuária. Projetos de genômica buscam reduzir em 25%, nos próximos 25 anos, as emissões de metano de ruminantes, como vacas e ovelhas. A inteligência artificial também é aplicada no bem-estar animal, interpretando vídeos para monitorar o comportamento e a saúde física de aves e bovinos.
A ascensão dos Países Baixos como o terceiro maior exportador mundial de alimentos — apesar de possuir um território 70 vezes menor que o da Argentina — é resultado de um ecossistema que une a universidade, empresas derivadas e departamentos de pesquisa de companhias como Unilever e FrieslandCampina. Essa estrutura é complementada por uma tradição de cooperação entre agricultores e a vantagem logística do porto de Roterdã, facilitando a exportação de vegetais, carnes, laticínios e flores para mercados como Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido. O país também se destaca no processamento de cacau, sendo o maior importador de grãos do setor para exportar produtos semiacabados.
Embora a tecnologia de Wageningen possa ser adaptada para a América Latina, especialistas ressaltam que não se trata de uma replicação direta. Enquanto nos Países Baixos o foco é o aquecimento e a luz artificial, em regiões tropicais o desafio é o resfriamento ativo e a gestão do excesso de radiação solar. Soluções como a hidroponia e as paredes úmidas são apontadas como transferíveis, visando aumentar a produção de nutrientes e a resiliência agrícola diante de secas e eventos climáticos extremos, preservando a água e o solo.