Ciência

Uso de smartphones antes de dormir prejudica a produção de melatonina e a qualidade do sono

19 de Maio de 2026 às 15:20

O uso de smartphones antes de dormir prejudica a produção de melatonina e desregula o ritmo circadiano devido à luz azul e à estimulação cognitiva. Estudos indicam que esse hábito está relacionado a indicadores severos de saúde mental, ansiedade e sintomas depressivos. Especialistas recomendam desligar dispositivos eletrônicos entre duas e três horas antes de deitar

Uso de smartphones antes de dormir prejudica a produção de melatonina e a qualidade do sono
Imagem ilustrativa mostra o uso do celular antes de dormir, hábito associado à luz azul, alteração da melatonina e dificuldade de descanso.

O uso de smartphones no escuro, antes de dormir, interfere em processos biológicos essenciais, prejudicando a produção de melatonina e desregulando o ritmo circadiano. De acordo com a Harvard Medical School, a luz azul emitida pelas telas é interpretada pelo cérebro como um sinal de claridade diurna, simulando um falso amanhecer. Esse estímulo luminoso reduz a atividade da glândula pineal e mantém o cérebro em estado de alerta, retardando o sono de forma mais acentuada do que outras fontes de luz.

Além do impacto luminoso, a estimulação cognitiva e emocional desempenha um papel central na insônia. Pesquisadores canadenses, citados pela Sleep Health, observaram que a navegação por redes sociais e o consumo de conteúdos rápidos colocam a mente em hipervigilância. Esse estado é alimentado por algoritmos que retêm a atenção do usuário e por reações a notícias estressantes ou comparações sociais, impedindo que o cérebro relaxe mesmo quando o corpo apresenta cansaço físico.

As consequências desse hábito refletem-se na saúde mental. Um estudo de 2023, publicado na revista Sleep da Oxford Academic, analisou quase 5.800 adultos na Dinamarca e constatou que o uso noturno do aparelho está relacionado a indicadores severos de saúde mental, resultantes de uma exaustão neuroquímica pelo excesso de estímulos. Complementarmente, uma revisão de 14 estudos divulgada pela Psychiatry Research confirmou a ligação entre o uso problemático do celular, o aumento da ansiedade e a presença de sintomas depressivos, criando um ciclo onde a ansiedade dificulta o sono e o cansaço estimula a permanência na tela.

Para mitigar esses efeitos, a ciência recomenda a implementação de um "toque de recolher digital", desligando dispositivos eletrônicos entre duas e três horas antes de deitar. A substituição da luz azul por luzes quentes ou vermelhas no ambiente do quarto é indicada para preservar a melatonina. Outra medida fundamental para a calibração do relógio biológico é a exposição à luz solar durante o período da manhã.

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