USP desenvolve biossensor de baixo custo que identifica câncer de pâncreas em dez minutos
Pesquisadores da USP desenvolveram um biossensor de baixo custo que identifica o câncer de pâncreas em 10 minutos através da proteína CA19-9. O dispositivo, validado com 24 amostras de sangue, apresentou precisão semelhante ao método ELISA. O estudo foi publicado na revista ACS Omega em 22 de janeiro de 2026
Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da USP, desenvolveram um biossensor de baixo custo capaz de identificar o câncer de pâncreas em apenas 10 minutos. O estudo, publicado na revista ACS Omega em 22 de janeiro de 2026, apresenta uma alternativa rápida e acessível aos exames laboratoriais complexos, mantendo a precisão dos resultados.
A tecnologia baseia-se na detecção da proteína CA19-9, o principal biomarcador associado a esse tipo de câncer. O dispositivo utiliza anticorpos específicos que se ligam a essa molécula por meio de um mecanismo de "chave e fechadura". Essa interação gera uma alteração elétrica na superfície do sensor, medida via capacitância (capacidade de armazenar carga elétrica) e convertida em um sinal detectável. Conforme detalhado pela doutoranda Gabriella Soares, a variação registrada pelo sensor é proporcional à concentração da proteína, permitindo a identificação de quantidades mínimas da substância, fator crucial para o diagnóstico precoce.
A urgência de ferramentas como esta reside na natureza silenciosa do câncer de pâncreas, que geralmente não apresenta sintomas iniciais e é diagnosticado em estágios avançados. A professora Débora Gonçalves, coordenadora do projeto, aponta que a ausência de sintomas iniciais é um dos maiores obstáculos no combate à doença. Em casos avançados, a taxa de sobrevida em cinco anos pode cair para apenas 3%.
Para validar a eficácia do biossensor, a equipe da USP testou 24 amostras de sangue, abrangendo indivíduos saudáveis e pacientes em diferentes estágios da doença. Os resultados mostraram um desempenho estatisticamente semelhante ao método ELISA, padrão utilizado em laboratórios. No entanto, enquanto o ELISA demanda infraestrutura especializada, profissionais qualificados e horas ou dias para o processamento, o novo dispositivo entrega o resultado em minutos através de uma curva de calibração pré-estabelecida.
A viabilidade do dispositivo sugere um impacto positivo na saúde pública, especialmente em regiões com escassez de recursos, ao facilitar a implementação de programas de rastreamento populacional e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.
A linha de pesquisa da USP já avança para novos modelos de biossensores com arquiteturas aprimoradas. O objetivo atual é integrar essas tecnologias a sistemas de aprendizado de máquina para criar a chamada "língua bioeletrônica". Essa ferramenta seria capaz de analisar dados de múltiplas fontes, como urina, saliva e sangue, utilizando algoritmos para corrigir falhas de leitura, identificar padrões complexos e elevar a confiabilidade do diagnóstico.