Vacina experimental contra diversos coronavírus é considerada segura em primeiro teste com humanos no Reino Unido
Testes iniciais no Reino Unido indicaram que a vacina de DNA pEVAC-PS é segura e reconhece regiões comuns de diversos sarbecovírus. O estudo com 39 voluntários registrou apenas reações leves ou moderadas, mas apresentou resposta imunológica e atividade neutralizante modestas
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Um primeiro teste em humanos no Reino Unido demonstrou que a vacina experimental pEVAC-PS é segura e bem tolerada. Desenvolvido com o auxílio de inteligência artificial, o imunizante visa proteger contra diversos sarbecovírus, grupo que engloba o SARS-CoV-2, causador da Covid-19, e o SARS-CoV-1, responsável pela epidemia de SARS.
A criação da pEVAC-PS utilizou a plataforma DIOSynVax, que emprega métodos computacionais para localizar regiões conservadas compartilhadas entre diferentes vírus da mesma família. A estratégia busca estimular o sistema imunológico a reconhecer estruturas comuns tanto em coronavírus atuais quanto em vírus com potencial pandêmico que circulam em animais, respondendo assim ao risco de novas emergências virais e ao surgimento de variantes.
O estudo, publicado no Journal of Infection, ocorreu em dois centros de pesquisa vinculados ao sistema público de saúde britânico (NHS): a NIHR Southampton Clinical Research Facility, no University Hospital Southampton NHS Foundation Trust, e a NIHR Cambridge Clinical Research Facility, no Addenbrooke's Hospital, onde o recrutamento foi expandido a partir de abril de 2023.
Entre dezembro de 2021 e setembro de 2023, 39 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 50 anos, foram selecionados após a avaliação de 180 candidatos. Todos os participantes já haviam recebido três ou duas doses de vacinas contra a Covid-19 e não possuíam infecção recente pelo SARS-CoV-2. O protocolo consistiu na aplicação de duas doses com intervalo de 28 dias, testando quatro níveis de dosagem: 0,2 mg, 0,4 mg, 0,8 mg e 1,2 mg.
A pEVAC-PS utiliza tecnologia de DNA, que oferece maior estabilidade térmica e menor dependência de infraestrutura de armazenamento, fatores que podem viabilizar a distribuição em países de média e baixa renda ou em respostas rápidas a surtos. Outro diferencial do teste foi a administração intradérmica sem agulha, feita por um dispositivo que injeta o imunizante diretamente na pele.
Quanto à segurança, não foram registradas reações adversas graves. Foram contabilizados 121 eventos adversos não solicitados, todos de nível leve ou moderado, além de 12 alterações laboratoriais clinicamente significativas, também leves e resolvidas sem intervenção médica. A segunda dose provocou menos efeitos colaterais que a primeira, e não houve aumento de reações com a elevação das dosagens.
No entanto, a resposta imunológica foi classificada como modesta. A vacina não gerou aumento expressivo de anticorpos acima dos níveis já presentes nos voluntários devido à exposição prévia ao vírus e a vacinações anteriores. A atividade neutralizante, essencial para barrar a infecção, permaneceu limitada. Os pesquisadores apontam que a análise foi impactada pelas diferentes fases de circulação da variante Ômicron e pelos variados históricos de vacinação e exposição dos participantes.
Apesar da baixa neutralização, o estudo identificou a produção de anticorpos capazes de reconhecer o epítopo S309, uma região conservada presente em múltiplos sarbecovírus. Esse achado indica que a estratégia de focar em regiões compartilhadas entre vírus é viável, embora a intensidade da resposta precise ser ampliada.
A conclusão do estudo aponta que, embora a pEVAC-PS tenha comprovado segurança e reconhecimento cruzado de regiões conservadas, ela ainda não demonstrou proteção abrangente ou atividade neutralizante robusta contra diversos sarbecovírus. Os dados servem como evidências iniciais para o aprimoramento de vacinas voltadas à prevenção de novos coronavírus pandêmicos e variantes do SARS-CoV-2.