Ciência

Variedade de atividades físicas reduz risco de morte em até 19%, indica estudo americano

14 de Setembro de 2026 às 06:00 3 min de leitura

Estudo com 110 mil pessoas nos Estados Unidos indica que a diversificação de exercícios reduz a probabilidade de morte em 19% comparado a apenas uma modalidade. A redução do risco de óbito por causas como doenças cardíacas e câncer variou entre 13% e 41%. O volume ideal para benefícios à saúde é de seis horas de atividade moderada ou três horas de exercício vigoroso por semana

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Variedade de atividades físicas reduz risco de morte em até 19%, indica estudo americano
Getty Images via BBC

A diversificação de atividades físicas semanais está associada a um aumento na longevidade e a uma melhora significativa na saúde geral. Um estudo realizado nos Estados Unidos, que acompanhou 110 mil homens e mulheres ao longo de 30 anos, revelou que indivíduos que praticam a maior variedade de exercícios apresentam uma probabilidade de morte 19% menor do que aqueles que se dedicam a apenas uma modalidade.

Embora a prática isolada de a maioria dos exercícios já reduza o risco de óbito por qualquer causa, a combinação de diferentes estímulos potencializa os resultados. Para quem diversifica as práticas, a redução do risco de morte por doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer e outras causas variou entre 13% e 41%.

Metodologia e volume de treino

A pesquisa baseou-se em dados de 70 mil enfermeiros e enfermeiras (entre 30 e 55 anos) e 40 mil profissionais de saúde (entre 40 e 75 anos). Os participantes responderam a questionários a cada dois anos sobre a frequência de atividades como natação, ciclismo, corrida, remo, tênis, squash, musculação, ioga, jardinagem e o hábito de subir escadas.

Os dados indicam que o volume ideal de movimentação semanal para a estabilização dos benefícios à saúde é de:

  • Seis horas de atividade moderada; ou
  • Três horas de exercício vigoroso.

Complementaridade e recomendações

A eficácia da diversificação reside na combinação de benefícios complementares, unindo, por exemplo, o treinamento de resistência aos exercícios aeróbicos. Enquanto as atividades aeróbicas — como dança, caminhada rápida e trilhas — elevam a frequência cardíaca e a respiração, os exercícios vigorosos, a exemplo de natação, futebol e ginástica, demandam um esforço respiratório mais intenso. Já o fortalecimento muscular é alcançado por meio de musculação, ioga, tai chi ou atividades cotidianas, como carregar sacolas pesadas.

Nesse sentido, as diretrizes do serviço público de saúde do Reino Unido (NHS) para adultos de 19 a 64 anos sugerem a distribuição de atividades ao longo de 4 a 5 dias por semana, evitando a inatividade prolongada. A recomendação inclui a prática de fortalecimento para todos os principais grupos musculares ao menos duas vezes por semana, somada a 150 minutos de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa.

Impactos no bem-estar e limitações

Além da prevenção de doenças vasculares, pulmonares e cardíacas, a alternância de modalidades impacta a saúde mental e o humor. A variação entre sessões intensas e práticas de relaxamento, como a ioga, auxilia no equilíbrio do bem-estar psicológico e na manutenção da energia.

Apesar da amplitude da amostra e do monitoramento repetido, o estudo apresenta a limitação de não poder descartar totalmente a possibilidade de que o estado de saúde prévio dos participantes tenha influenciado a escolha e a frequência dos exercícios, ainda que fatores de estilo de vida tenham sido considerados na análise.

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