Veículos elétricos podem intensificar a sensação de enjoo em alguns passageiros
Relatos e observações clínicas indicam que carros elétricos podem intensificar a cinetose devido à aceleração instantânea, frenagem regenerativa e ausência de ruídos e vibrações. A fabricante XPeng reconheceu os sintomas, enquanto pesquisadores apontam a necessidade de estudos abrangentes para confirmar a correlação
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/K/7/MAuu5xTfmt9pvrVWLN9w/imagem-cortada-38-.jpg)
Relatos de passageiros e observações clínicas indicam que a transição para a mobilidade elétrica pode intensificar a cinetose — o enjoo de movimento — em algumas pessoas. Embora a investigação científica sobre a relação direta entre carros elétricos e náuseas ainda esteja em estágio inicial, a discrepância entre os sinais sensoriais recebidos pelo corpo parece ser a chave para entender o fenômeno.
A mecânica do enjoo em veículos elétricos
A cinetose ocorre quando há um conflito entre a visão, o sistema de equilíbrio do ouvido interno e as fibras sensoriais do corpo. Em veículos elétricos, esse desequilíbrio pode ser acentuado por três fatores principais:
- Ausência de estímulos sonoros e vibratórios: O corpo humano adaptou-se a associar o ruído e a vibração do motor a combustão à aceleração. Sem esses sinais, o cérebro pode ter dificuldade em processar o movimento, desencadeando a náusea.
- Frenagem regenerativa: O sistema que recupera energia ao soltar o acelerador pode causar desacelerações bruscas. Esse efeito gera uma sensação de balanço para frente e para trás, simulando a percepção de que o veículo está parando constantemente.
- Aceleração instantânea: A capacidade de ganhar e perder velocidade de forma muito mais rápida que nos modelos convencionais contribui para o mal-estar de passageiros mais sensíveis.
A fabricante chinesa XPeng reconheceu publicamente que esses sintomas não são imaginários, mas sim efeitos colaterais da forma como esses veículos são projetados.
Perfil de suscetibilidade e evidências
A predisposição ao enjoo é fortemente influenciada pela genética, sendo mulheres e crianças os grupos mais vulneráveis. O pico da cinetose costuma ocorrer entre os 8 e 10 anos de idade.
No entanto, a experiência não é universal. Enquanto alguns passageiros relatam episódios graves de vômito e náuseas em trajetos curtos, muitos motoristas e proprietários afirmam não sentir qualquer diferença ou, em alguns casos, sentem-se menos enjoados em modelos elétricos do que em carros tradicionais.
Do ponto de vista acadêmico, a base de dados ainda é considerada superficial. Pesquisadores apontam que, embora existam evidências anedóticas e relatos clínicos recorrentes — com neurologistas recebendo queixas mensais sobre o tema —, ainda faltam estudos abrangentes e definitivos para confirmar a correlação.
Adaptações e soluções
Para mitigar os sintomas, a exposição prolongada aos veículos elétricos pode ajudar o corpo a se dessensibilizar e adaptar ao novo padrão de movimento. Além disso, algumas medidas práticas são recomendadas para passageiros:
- Posicionamento: Priorizar o banco do passageiro dianteiro ou o assento central no banco traseiro para manter a visão do horizonte através do para-brisa.
- Comportamento: Evitar a leitura de livros ou o uso de celulares, manter a cabeça imóvel no encosto e reclinar o assento.
- Ambiente e Saúde: Manter a janela aberta para circulação de ar fresco, garantir a hidratação, dormir bem e evitar alimentos gordurosos antes de viajar.
No campo da engenharia, especialistas sugerem que a indústria pode implementar softwares para suavizar a aceleração, sistemas de som e vibrações artificiais nos assentos para sinalizar o movimento, além de aprimorar a frenagem regenerativa adaptativa. Atualmente, alguns modelos já permitem que o condutor ajuste ou desative a frenagem regenerativa conforme a preferência.
Cenário de mercado no Reino Unido
A questão ganha relevância diante da expansão da frota de emissão zero. No Reino Unido, o registro de novos veículos elétricos cresceu 40,5% entre abril e junho de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. Ao final de junho de 2026, esses modelos representavam 5,8% de todos os carros licenciados no país, em um contexto onde a venda de veículos a gasolina ou diesel deve ser proibida a partir de 2030.