Venezuela registra os terremotos mais intensos no país desde 1900
A Venezuela registrou, nesta quarta-feira (24), terremotos de magnitude 7,5 e 7,2, os mais intensos no país desde 1900. Os dados foram divulgados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)
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A Venezuela registrou, nesta quarta-feira (24), dois terremotos com magnitudes de 7,5 e 7,2, os abalos mais intensos no país desde 1900, conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Apesar da gravidade do evento, a ciência ainda não dispõe de métodos para prever a ocorrência de sismos dessa magnitude, limitando-se a calcular a probabilidade de eventos significativos em áreas específicas ao longo de determinados períodos.
A dificuldade de previsão reside na ausência de padrões naturais comprovados. Teorias que sugerem a observação de terremotos menores em série, o aumento de gás radônio ou mudanças no comportamento animal carecem de evidências científicas, ocorrendo frequentemente sem que um grande abalo as suceda. Mesmo tentativas recentes de utilizar inteligência artificial para identificar padrões em bases de dados enfrentam obstáculos, como a falta de informações completas sobre sismos ocorridos há duas ou três décadas e a incerteza sobre quais fatores as máquinas devem analisar.
O impacto global desses fenômenos é expressivo: a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou 750 mil mortes por terremotos entre 1998 e 2017, representando mais da metade das fatalidades causadas por desastres naturais no mundo. A frequência de tremores leves, que ocorrem diariamente e muitas vezes não são sentidos na superfície, acaba facilitando previsões amadoras imprecisas em regiões de alta propensão. No Brasil, por exemplo, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) registra anualmente cerca de 20 sismos acima de 3,0 na escala Richter e dois superiores a 4,0.
Para mitigar danos, os serviços geológicos utilizam três ferramentas principais. A primeira é o sistema de alerta imediato, adotado por países como Japão, México, Turquia e Itália. O sistema detecta as ondas primárias — vibrações mais rápidas — para avisar a população sobre a chegada das ondas secundárias. O Japão opera o sistema mais sofisticado desde 2007, transmitindo avisos via celulares, rádio, televisão e sirenes. O desafio reside na precisão, pois alarmes falsos podem elevar custos de emergência e reduzir a confiança da população nos avisos.
As outras duas estratégias focam no médio e longo prazo. Cientistas estimam a ocorrência de abalos secundários, que tendem a seguir o padrão de um terremoto forte anterior, e calculam a probabilidade de sismos em locais específicos com base em médias históricas. Essas projeções permitem medidas preventivas, especialmente no Círculo de Fogo do Pacífico, região onde se concentram 90% dos terremotos globais.
Existem ainda casos de sismos induzidos por atividades humanas, como mineração em larga escala, construção de barragens, explosões nucleares ou a extração de petróleo e a injeção de gás e água sob pressão. No Brasil, a Hidroelétrica de Capivari-Cachoeira, no Paraná, apresentou atividade sísmica entre 1971 e 1979. O maior tremor registrado em território brasileiro ocorreu em 1955, com epicentro a 370 quilômetros de Cuiabá. Enquanto no Chile a estimativa é de um terremoto acima de 7,0 a cada três anos, no Brasil a frequência prevista para eventos dessa magnitude é de um a cada 500 anos.