Ciência

Vênus atingirá seu ápice de luminosidade no céu em 18 de setembro de 2026

02 de Maio de 2026 às 06:11

Vênus atingirá seu pico de luminosidade em 18 de setembro de 2026, com magnitude de -4,8. O planeta ficará visível no céu do pôr do sol e poderá ser observado durante o dia

Vênus atingirá seu ápice de luminosidade aparente em 2026 na noite de 18 de setembro. Com uma magnitude de -4,8, o planeta se destacará no céu do pôr do sol com um brilho tão intenso que poderá projetar sombras em superfícies brancas para observadores com a visão adaptada ao escuro. A intensidade será tamanha que, para quem souber a localização exata, será possível visualizá-lo mesmo durante o dia, contra o céu azul.

Essa magnitude coloca Vênus em um grupo restrito de objetos celestes, superando qualquer estrela. Para efeito de comparação, Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno, possui magnitude -1,46, o que a torna mais de 150 vezes menos luminosa que Vênus em seu pico. Júpiter, o segundo planeta mais brilhante, alcança no máximo a magnitude -2,9.

O fenômeno ocorre devido a um paradoxo fotométrico: Vênus brilha mais como crescente do que quando apresenta o disco cheio. Isso acontece porque, ao exibir a fase crescente, o planeta está consideravelmente mais próximo da Terra, e o aumento de seu tamanho angular compensa a menor fração de área iluminada. O pico de brilho de setembro de 2026 acontecerá quando Vênus apresentar entre 25% e 28% de iluminação, configurando um crescente fino, porém com grande extensão angular.

A alta refletividade do planeta, que devolve cerca de 70% da luz solar recebida, é resultado de sua atmosfera densa de dióxido de carbono e nuvens constantes. Internamente, o planeta possui pressão atmosférica 92 vezes superior à da Terra e temperaturas superficiais próximas a 464 °C.

O evento de setembro é o ponto culminante de um ciclo que se iniciou em fevereiro de 2026, quando Vênus emergiu da proximidade com o Sol. Em março, tornou-se o objeto mais luminoso do céu após a Lua e, em 15 de agosto, atingiu sua maior elongação, separando-se do Sol por cerca de 46 graus. No dia 18 de setembro, o planeta estará posicionado a aproximadamente 10 graus acima do horizonte oeste no pôr do sol, desaparecendo cerca de uma hora e meia depois.

A trajetória segue com a descida rápida de Vênus em direção ao Sol, sumindo da vista no início de outubro. Em 24 de outubro de 2026, ocorrerá a conjunção inferior, com o planeta posicionado entre a Terra e o Sol. Posteriormente, ele ressurgirá como "estrela da manhã" no horizonte leste, com novo pico de brilho próximo a -4,8 por volta de 27 de novembro de 2026.

Esse comportamento segue um padrão cíclico. Vênus orbita o Sol em 225 dias, enquanto a Terra leva 365. A configuração relativa entre ambos se repete a cada 584 dias (período sinódico). Curiosamente, cinco desses ciclos somam 2.920 dias, quase idênticos aos oito anos terrestres (2.922 dias). Essa geometria faz com que os padrões de aparição se repitam a cada oito anos, motivo pelo qual os fenômenos de 2026 espelham os observados em 2018.

Essa regularidade foi documentada historicamente pelos maias no Códex de Dresden, manuscrito do século XI com tabelas de aparições em ciclos de 584 dias. Já a natureza planetária e as fases de Vênus — semelhantes às da Lua — foram comprovadas por Galileu Galilei em 1610. Ao observar a transição do disco cheio para o crescente através de seu telescópio, Galileu forneceu evidências de que os planetas orbitam o Sol, refutando o modelo geocêntrico.

Para a maioria dos observadores, Vênus parecerá um ponto de luz puro, pois seu diâmetro angular de 60 segundos de arco está no limite da resolução do olho humano. No entanto, o uso de binóculos de qualidade permite visualizar o crescente, especialmente nas semanas próximas ao pico de setembro. Com telescópios de 60 milímetros ou mais, a fase crescente torna-se visualmente evidente.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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