Vestígios de assentamento helenístico no Afeganistão comprovam a expansão da cultura grega na Ásia Central
Vestígios da cidade helenística de Ai-Khanoum, no Afeganistão, revelam a expansão grega na Ásia Central entre o século IV e II a.C. O assentamento, fundado possivelmente por Seleuco I, possuía acrópole e zona administrativa com arquitetura mediterrânea. O local foi abandonado por volta de 145 a.C. após ataques de grupos nómades
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Vestígios de um assentamento helenístico no nordeste do Afeganistão, na província de Takhar, evidenciam a expansão da cultura grega até a Ásia Central. Localizada próximo ao encontro dos rios Amu Darya e Kokcha, a cidade de Ai-Khanoum (ou Oyxonim) situa-se a mais de 4.000 quilômetros de Atenas, integrando-se a uma paisagem de montanhas e áreas agrícolas.
Estrutura urbana e achados arqueológicos
O assentamento era organizado em duas divisões principais. A zona baixa concentrava a administração e a vida cultural, abrigando um complexo palaciano, academia, arsenal, templos e um teatro ao ar livre. Já a parte superior consistia em uma acrópole fortificada, destinada à defesa da cidade.
A influência do Mediterrâneo é comprovada por elementos arquitetônicos e artefatos específicos, como:
- Colunas coríntias;
- Esculturas dedicadas a Zeus;
- Moedas de ouro com a efígie de reis helenísticos.
Origem e declínio do posto de fronteira
A cidade foi habitada entre o final do século IV a.C. e meados do século II a.C. Embora existam associações com Alexandre, a tese predominante atribui a fundação a Seleuco I, criador do Império selêucida, que abrangia territórios desde o sudeste europeu até as proximidades da Índia.
O abandono de Ai-Khanoum ocorreu por volta de 145 a.C. Grupos nómades aproveitaram a instabilidade do governo local para atacar o posto, forçando a população a buscar refúgio nas montanhas. Esse evento deu início a um processo de deterioração e saque das estruturas.
Histórico de escavações
A documentação arqueológica do local começou em 1925, por meio de Jules Barthoux, mas a confirmação da identidade grega do sítio ocorreu apenas em 1963, através de Daniel Schlumberger. As atividades de pesquisa foram interrompidas em 1979, devido à invasão soviética e à instabilidade política subsequente no Afeganistão.
A preservação desses vestígios reforça o papel histórico do território afegão como um eixo de conexão entre a Pérsia, China, Índia e o Mediterrâneo.