Ciência

Viagem ao centro da Via Láctea exigiria energia equivalente ao arsenal nuclear mundial

30 de Julho de 2026 às 06:40

Uma viagem de dez anos ao centro da Via Láctea exigiria aceleração constante de 1g, mas a falta de energia e combustíveis eficientes torna a missão inviável. A antimatéria é a única substância capaz de propulsão relativista, porém possui custo proibitivo. Como alternativa, propõe-se um emissor de rádio do tamanho da Terra para impulsionar velas leves com cargas de um milhão de toneladas

Viagem ao centro da Via Láctea exigiria energia equivalente ao arsenal nuclear mundial
Planetary Society

A possibilidade de transportar astronautas até o centro da Via Láctea, localizado a 26 mil anos-luz de distância, em apenas dez anos exigiria que uma espaçonave mantivesse uma aceleração constante de 1g (9,8 metros por segundo ao quadrado). No entanto, a viabilização dessa jornada esbarra em um obstáculo crítico: a quantidade colossal de energia e combustível necessária para atingir velocidades relativísticas.

O desafio energético da propulsão

Para que uma carga útil se aproxime da velocidade da luz, a física baseada na equação $E = Mc^2$ de Albert Einstein indica que seria necessário fornecer aproximadamente o dobro da energia da massa em repouso do objeto. Na prática, um astronauta de 100 quilogramas demandaria a energia equivalente a 4 gigatoneladas de TNT, volume comparável a todo o arsenal nuclear existente no mundo.

A eficiência dos combustíveis disponíveis é insuficiente para tal feito. Enquanto propelentes químicos apresentam uma eficácia extremamente baixa, o combustível nuclear — seja por fissão ou fusão — também não consegue impulsionar um foguete a velocidades próximas à da luz, pois a energia liberada por unidade de massa é significativamente menor que $c^2$.

Limitações de massa e a alternativa da antimatéria

A relação entre a massa do combustível e a carga útil torna a propulsão nuclear inviável para viagens interestelares humanas. Para atingir a velocidade da luz, um motor de fissão nuclear exigiria uma relação de massa de $3 \times 10^{43}$, enquanto um motor de fusão precisaria de $5 \times 10^{21}$. Para transportar um único astronauta, seria necessária, no mínimo, uma massa de combustível de fusão equivalente a 10% da massa da Terra.

A única substância capaz de permitir a propulsão relativista seria a antimatéria, devido à energia liberada em sua aniquilação com a matéria. Contudo, o custo de produção desse material é proibitivo, superando os 100 bilhões de dólares por grama.

Velas leves e emissores de rádio

Como alternativa ao combustível interno, existem projetos de aceleração via laser, como a iniciativa Starshot, que utiliza um laser de 100 gigawatts para impulsionar uma vela leve com carga de um grama. Embora eficiente para sondas, a aceleração gerada ($10^5g$) é letal para seres humanos.

Para transportar astronautas a 1g, a solução proposta envolve a construção de um emissor de rádio com dimensões semelhantes às da Terra. Este sistema deveria capturar toda a energia solar que chega ao planeta para concentrar a luz em uma vela de 100 metros de comprimento. Essa estrutura seria capaz de impulsionar uma carga útil de um milhão de toneladas, transportando múltiplos astronautas, até a velocidade da luz.

Conexão com fenômenos cosmológicos

Esse modelo de propulsão sugere que os pulsos de rádio resultantes de tal tecnologia poderiam ser detectados em distâncias cosmológicas, assemelhando-se às Fast Radio Bursts (FRB) — ráfagas rápidas de rádio. Atualmente, a ciência associa as FRB a estrelas de nêutrons jovens e magnetizadas, mas existe a hipótese de que parte desses eventos seja, na verdade, gerada por civilizações avançadas utilizando projetos de velas leves. A confirmação dessa origem alteraria a compreensão da posição da humanidade na hierarquia cosmológica.

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