Visão dos vertebrados pode ter surgido de sensor luminoso de criatura marinha primitiva
Um modelo publicado na Current Biology indica que a visão dos vertebrados surgiu de um olho médio presente em criaturas marinhas há 600 milhões de anos. A estrutura central teria se expandido para formar as retinas e os sistemas pineal e parapineal. A teoria baseia-se em análises comparativas e no desenvolvimento embrionário da retina
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Um modelo evolutivo publicado na revista Current Biology sugere que a visão dos vertebrados, incluindo a dos seres humanos, originou-se de uma estrutura sensorial única presente em uma criatura marinha semelhante a um verme, que habitou os oceanos há cerca de 600 milhões de anos. A hipótese propõe que a complexidade ocular atual seja o resultado da reorganização de um sensor luminoso primitivo.
A transição do "olho médio"
O ancestral em questão teria vivido no fundo do mar, possivelmente em tocas, alimentando-se por filtração. Inicialmente, esse animal possuía estruturas visuais nas laterais da cabeça, capazes apenas de diferenciar a luz da escuridão ou orientar a posição do corpo. Com a adoção de um estilo de vida mais sedentário, essas estruturas laterais teriam se tornado obsoletas e desaparecido.
No entanto, células sensíveis à luz permaneceram ativas na região central da cabeça, consolidando-se em um órgão simples denominado olho médio. Sem a existência de fósseis desse período, a teoria fundamenta-se na análise comparativa de espécies contemporâneas.
A diversificação do sistema visual
A mudança no comportamento dos descendentes dessa criatura, que voltaram a ter uma vida ativa e a se deslocar na água, tornou a detecção de predadores e alimentos essencial. Em vez de desenvolver um sistema visual do zero, a evolução teria reaproveitado as células e os circuitos nervosos do olho médio.
Esse sensor central teria se expandido e diversificado para as laterais, dando origem às retinas esquerda e direita dos primeiros vertebrados. O mesmo processo teria sido responsável pelo surgimento dos sistemas pineal e parapineal, integrando a visão e a regulação dos ritmos biológicos em uma única linhagem evolutiva.
Diferenças embrionárias e celulares
A hipótese é sustentada por uma característica do desenvolvimento embrionário: a retina dos vertebrados se forma como uma extensão do cérebro. Esse processo difere completamente da formação dos olhos de lulas e insetos, que surgem de tecidos na superfície da cabeça, evidenciando caminhos evolutivos distintos.
O modelo também esclarece a composição celular da retina, que reúne dois tipos de sistemas fotosensíveis:
- Fotorreceptores ciliares: representados pelos cones e bastonetes, que convertem a luz em sinais elétricos.
- Fotorreceptores rabdoméricos: representados pelas células horizontais, amacrinas e ganglionares, responsáveis pelo processamento da informação.
A estrutura mediana primitiva teria abrigado ambas as linhagens celulares, facilitando a posterior organização do circuito visual. Dessa forma, a visão binocular e a glândula pineal seriam heranças distintas de um único sensor luminoso surgido há centenas de milhões de anos.