Ciência

Zurique sedia entrega do Prêmio IgNobel 2026 com a participação de quatro laureados do Nobel

03 de Setembro de 2026 às 15:01 3 min de leitura

Zurique sediou nesta quinta-feira (3) a entrega do IgNobel 2026, com dez pesquisas premiadas em diversas categorias. O evento contou com a presença de quatro laureados do Prêmio Nobel e destacou estudos como o de brasileiros sobre a picada da jararaca

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Zurique sedia entrega do Prêmio IgNobel 2026 com a participação de quatro laureados do Nobel
Agroscope/Gabriela Braendle

A cidade de Zurique, na Suíça, sediou nesta quinta-feira (3) a entrega do IgNobel 2026, premiação que reconhece estudos científicos capazes de provocar riso e, posteriormente, reflexão. A cerimônia, que ocorreu fora dos Estados Unidos pela primeira vez em 35 anos, contou com a participação de quatro laureados do Prêmio Nobel: Esther Duflo, Abhijit Banerjee, Michel Mayor e Tim Hunt.

Ao todo, dez pesquisas foram premiadas em diferentes categorias, abrangendo desde a análise de comportamentos sociais até inovações tecnológicas com materiais biológicos.

Inovações tecnológicas e físicas

Na categoria de Tecnologia, pesquisadores da China, Canadá, Estados Unidos e Egito desenvolveram o necroprinting. A técnica utiliza a probóscide — a estrutura alongada que os mosquitos usam para perfurar a pele — como um bico de alta precisão para impressão 3D.

Já o prêmio de Física foi destinado a um estudo sobre a dinâmica de fluidos em mictórios. Os cientistas aplicaram equações matemáticas para entender como o ângulo de impacto do líquido influencia a quantidade de respingos. O resultado foi a criação de novos modelos de mictórios que reduziram os respingos para apenas 1,4% em comparação aos modelos convencionais, o que pode gerar economia de água e produtos de limpeza.

Biologia, saúde e natureza

O Brasil foi destaque na categoria de Biologia. O grupo composto por João Miguel Alves-Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques foi premiado por investigar os fatores que influenciam a decisão de uma jararaca em desferir uma picada defensiva.

Outras descobertas biológicas premiadas incluíram:

  • Ciência do Solo: Um experimento realizado em mais de 25 países utilizou 1.000 cuecas de algodão enterradas por dois meses. A análise do nível de decomposição do tecido por fungos e bactérias serviu para avaliar a atividade biológica do terreno.
  • Química: Sanchari Banerjee e sua equipe estudaram a Diploptera punctata, uma espécie de barata vivípara que produz proteínas para alimentar os filhotes com três vezes mais energia do que o leite de vaca.
  • Medicina: O prêmio foi concedido postumamente ao japonês Tokuji Unno por um trabalho de 1977 sobre a aerodinâmica de assoar o nariz.

Comportamento humano e social

A premiação também contemplou estudos sobre a natureza humana e interações sociais. Na categoria de Biomecânica, pesquisadores do Reino Unido e Estados Unidos definiram o beijo como um contato direcionado entre bocas da mesma espécie, sem transferência de alimento. A análise, focada em primatas, sugere que o comportamento existia em ancestrais comuns há milhões de anos, havendo inclusive a possibilidade de ter ocorrido entre neandertais.

No campo do Olfato, cientistas da Polônia, Alemanha e Suécia observaram que pais atribuem avaliações mais positivas ao cheiro de bebês do que ao de filhos adolescentes.

Economia e relações interpessoais

A categoria de Economia premiou a descoberta de que indivíduos de classes sociais mais altas apresentam maior tendência a comportamentos antiéticos. Em um dos testes, esse grupo mostrou maior propensão a retirar doces que haviam sido destinados a crianças.

Por fim, o prêmio da Paz foi atribuído a um estudo sobre a ambivalência nas amizades. A pesquisa revelou que as pessoas tendem a valorizar amigos que são gentis com elas, mesmo que esses mesmos companheiros sejam hostis com terceiros de quem o indivíduo não gosta.

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