Clima

A maioria dos jogos da próxima Copa do Mundo poderá ocorrer sob calor prejudicial aos atletas

03 de Junho de 2026 às 06:14

A Copa do Mundo no México, Estados Unidos e Canadá terá 97 de 104 jogos com probabilidade de calor prejudicial aos atletas, segundo a Climate Central. Para mitigar os riscos, a FIFA implementará pausas para hidratação durante as partidas. Jogadores e ex-atletas solicitaram à entidade a atualização dos protocolos de estresse térmico e a redução do calendário

A maioria dos jogos da próxima Copa do Mundo poderá ocorrer sob calor prejudicial aos atletas
Reuters/Agustin Marcarian

A próxima Copa do Mundo, sediada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá, enfrenta um cenário de riscos climáticos significativos que podem comprometer tanto o desempenho dos atletas quanto a segurança dos espectadores. De acordo com análises da organização Climate Central, 97 dos 104 jogos previstos têm maior probabilidade de ocorrer sob condições de calor prejudiciais aos jogadores, com quase metade das partidas apresentando pelo menos 50% de chance de atingir esses níveis.

O limite crítico de desempenho para os atletas é fixado em 28°C, temperatura que a maioria dos estádios sedes já ultrapassa com mais frequência do que na década de 1970. A situação é agravada pelo agendamento de 23 partidas ao meio-dia (horário local) para atender ao mercado europeu, o que expõe os times a picos de temperatura. Esse desgaste físico acumulado em horários críticos prejudica a recuperação orgânica e a competitividade das equipes ao longo do torneio.

Um dos pontos de maior vulnerabilidade será o jogo entre Espanha e Uruguai, em Guadalajara, no México, marcado para as 20h de 26 de junho. O relatório indica que a probabilidade de calor intenso afetando o desempenho nesse confronto é de 70%, contra 33% se não houvesse o aquecimento global causado por humanos — uma diferença de 37 pontos percentuais.

Além da temperatura seca, a umidade elevada em cidades como Miami eleva a sensação térmica e amplia os riscos. Estudos do grupo World Weather Attribution (WWA) apontam que as condições atuais são consideravelmente mais perigosas do que as registradas na Copa de 1994. O estresse térmico pode causar tonturas, vertigens, fadiga e cãibras, pois o corpo desvia o fluxo sanguíneo para a pele para tentar regular a temperatura através do suor, reduzindo a nutrição muscular e aumentando a chance de lesões.

O impacto estende-se à capacidade cognitiva, prejudicando a tomada de decisões rápidas em campo. Na prática, isso tende a tornar as partidas mais lentas, com maior posse de bola e menos sprints, já que os jogadores evitam esforços explosivos. Embora a imprecisão causada pela exaustão possa gerar um aumento no número de gols, especialmente no segundo tempo, o ritmo geral do jogo é reduzido.

Para mitigar esses efeitos, a FIFA implementará pausas obrigatórias de até três minutos para hidratação no meio de cada tempo. Especialistas em traumatologia esportiva ressaltam que a hidratação deve incluir a reposição de eletrólitos para preservar as funções musculares e cognitivas. Em casos graves, como o golpe de calor por esforço, que pode ser fatal, a orientação é o resfriamento rápido por meio de banhos frios.

A crise climática também traz riscos imprevistos, como tempestades elétricas que podem suspender jogos, colocando em perigo atletas, comissões técnicas e torcedores. Diante desse cenário, um grupo de jogadores e ex-atletas, incluindo nomes como Jordan Rhodes e Elena Linari, enviou uma carta aberta à FIFA solicitando a atualização dos protocolos de estresse térmico, a redução do calendário e a interrupção de parcerias com patrocinadores de combustíveis fósseis.

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