Clima

El Niño atinge temperaturas recordes e pode ser o mais intenso dos últimos mil anos

23 de Setembro de 2026 às 09:48 3 min de leitura

O fenômeno El Niño registrou anomalia térmica de 3,05 °C no Pacífico equatorial, superando o recorde de 150 anos. Modelos climáticos preveem que a temperatura possa atingir 4 °C até dezembro. O evento gera secas, chuvas intensas e riscos à segurança alimentar global

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El Niño atinge temperaturas recordes e pode ser o mais intenso dos últimos mil anos
NOAA

O atual episódio de El Niño atingiu níveis de temperatura sem precedentes nos últimos 150 anos de registros modernos. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicam que a anomalia térmica no centro do Pacífico equatorial chegou a 3,05 °C, superando a marca de 3,02 °C registrada no final de novembro de 2015.

Para a classificação oficial, um fenômeno é considerado El Niño a partir de 0,5 °C e é definido como "muito forte" quando ultrapassa os 2 °C. Outra métrica, o índice ONI El Niño 3.4, que utiliza média móvel de 30 anos para mitigar a influência do aquecimento global antropogênico, mostra que o evento atual está a apenas 0,01 °C de igualar o recorde de 2015.

Projeções e Intensidade

O fenômeno ainda não atingiu seu ápice. A análise de 14 modelos climáticos aponta que a anomalia térmica pode chegar a 4 °C entre os meses de novembro e dezembro. Essa evolução, descrita por pesquisadores como um "El Niño super" ou "El Niño Godzilla", sugere que o evento pode ser o mais intenso dos últimos 1.000 anos, com base em estudos de anéis de árvores, corais e registros históricos.

A gravidade do cenário atual decorre da combinação entre um oceano tropical excepcionalmente quente e uma atmosfera com maior acúmulo de energia. Esse processo representa uma redistribuição massiva de energia em um sistema climático já aquecido pela ação humana, o que amplia a vulnerabilidade das comunidades e dificulta a gestão dos impactos.

Impactos Globais e Riscos Socioeconômicos

Eventos anteriores de forte intensidade, como os de 1997-1998 e 2015-2016, causaram prejuízos globais na casa dos centenas de bilhões de dólares. O episódio vigente já ultrapassa esses precedentes, elevando os riscos para a saúde pública, a segurança alimentar e o abastecimento de água em diversas regiões.

Os efeitos já são observados em escala global:

  • Ásia: A Indonésia enfrenta calor extremo, seca e incêndios recordes com alta poluição, enquanto a Índia registra o enfraquecimento das chuvas monzônicas.
  • Américas: Secas e perdas agrícolas afetam a América Central e o Caribe, impactando inclusive o nível da água no canal de Panamá. No sentido oposto, Peru e Chile já registraram chuvas intensas.
  • África e EUA: O Corno de África e o sul dos Estados Unidos estão vulneráveis a temporais severos.

Alertas para o Próximo Período

Para o verão do hemisfério sul, a previsão é de condições mais secas e quentes, elevando o risco de incêndios florestais e secas na Austrália e no sul da África. Além disso, há a expectativa de intensificação de tufões no Pacífico.

No âmbito humanitário, o Programa Mundial de Alimentos alertou que o cenário pode levar aproximadamente 50 milhões de pessoas a quadros de fome aguda, impulsionando a alta nos preços dos alimentos. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, reforça que o planeta entrou em uma zona de perigo climático, navegando por águas desconhecidas devido à magnitude do fenômeno.

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