El Niño pode ser um dos mais potentes desde 1950 e deve durar até 2027
O El Niño deve atingir seu ápice em dezembro e persistir até fevereiro de 2027, podendo ser um dos eventos mais potentes desde 1950. A anomalia térmica deve superar o recorde de 2,6°C, com estimativas de até 451 mil mortes globais até o fim do período

O fenômeno El Niño deve intensificar sua força até atingir o ápice em dezembro, com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) projetando a permanência do evento até fevereiro de 2027. A probabilidade de manutenção desse padrão climático é de quase 100%, havendo a possibilidade de que esta seja uma das ocorrências mais potentes desde 1950.
A intensificação ocorre porque o oceano apresenta a maior temperatura já medida, disponibilizando um volume superior de calor para ser liberado na atmosfera. A anomalia térmica prevista supera o recorde anterior de 2,6°C, estabelecido entre novembro de 2015 e janeiro de 2016.
Impactos globais e riscos
O El Niño caracteriza-se como a fase quente do ciclo natural El Niño-Oscilação Sul, manifestando-se em intervalos de dois a sete anos. Esse padrão altera a dinâmica climática global, provocando a elevação das temperaturas médias e a desestabilização do regime de chuvas, resultando em secas severas em determinadas regiões e precipitações intensas em outras.
O cenário de aquecimento já é visível nos dados recentes. Em agosto, a temperatura média global chegou a 16,96°C, marca que empata com julho de 2023 como o mês mais quente da história, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia.
Previsões de mortalidade
Devido à magnitude deste "super El Niño", pesquisadores do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago estimam que o fenômeno possa causar um aumento de até 451 mil mortes em escala mundial no período compreendido entre junho deste ano e fevereiro de 2027.