Enchente no Nepal deixa 1.200 mortos e 4.200 desaparecidos após maior registro histórico no país
A maior enchente registrada no Nepal deixou 1.200 mortos e 4.200 desaparecidos, além de 900 trabalhadores presos em hidrelétricas. O desastre foi causado pelo derretimento de glaciares e permafrost no Himalaia, que desestabilizou massas rochosas
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As consequências da maior enchente já registrada no Nepal evidenciam a fragilidade dos ecossistemas montanhosos diante do aquecimento global. Uma semana após a catástrofe, o balanço oficial indica 1.200 mortos e 4.200 desaparecidos, com a destruição de vilas inteiras. O cenário é agravado pelo fato de mais de 900 trabalhadores permanecerem presos em instalações hidrelétricas.
A dinâmica do colapso glacial
O aumento da frequência de desastres em cordilheiras como o Himalaia e os Alpes está diretamente ligado ao recuo dos glaciares e ao derretimento do permafrost. O gelo, que anteriormente funcionava como um "cimento" estabilizador de rochas e formações verticais, perdeu essa capacidade.
O processo de degradação ocorre de duas formas principais:
- Perda de suporte: A transição da água do estado sólido para o líquido remove a sustentação de massas rochosas instáveis, provocando quedas.
- Lubrificação de encostas: A água do degelo infiltra-se em rachaduras, facilitando o deslizamento de rochas e gelo.
No caso do Nepal, a profundidade dos vales glaciais — que podem apresentar desníveis entre 4.000 e 6.000 metros — potencializa a energia cinética das águas, gerando um efeito dominó devastador ao atingir as populações situadas no fundo dos vales.
Riscos urbanos e turísticos
A vulnerabilidade das populações locais foi ampliada por fatores humanos. O crescimento desordenado de infraestruturas no fundo dos vales, impulsionado pelo setor hidrelétrico e pelo boom turístico, substituiu assentamentos historicamente inteligentes por resorts e acomodações construídas com materiais baratos e sem planejamento técnico.
Essa "falsa sensação de segurança", somada à massificação do turismo, elevou o risco para residentes e visitantes. Atualmente, a frequência de deslizamentos cresceu de forma quase exponencial, transformando eventos que ocorriam a cada década em ocorrências anuais.
Medidas de adaptação e segurança
Para mitigar novos desastres, é urgente a atualização dos mapas de risco utilizando dados topográficos e satélites precisos. A proposta é a realocação de populações e a segmentação de áreas por cores:
- Vermelho: Proibição total de construções.
- Laranja: Destinado apenas a estradas.
- Amarelo: Possibilidade de construção de residências.
- Verde: Áreas seguras para escolas e hospitais.
Quanto às infraestruturas, a alternativa é a adoção de modelos adaptáveis e leves, como as pontes móveis utilizadas na Islândia, que se ajustam ao fluxo sazonal dos glaciares, abandonando estruturas fixas e obsoletas.
Orientações para montanhistas e viajantes
A janela de segurança para visitar montanhas com neve e gelo está diminuindo. Mudanças bruscas, como a ocorrência de temperaturas acima de zero em cumes dos Alpes durante o verão, tornam trilhas nos Andes, Montanhas Rochosas, Pirineus e Himalaia perigosas ou não recomendadas em certas datas.
A experiência prévia em determinada região já não garante a segurança do visitante, pois a dinâmica do terreno muda rapidamente. A recomendação é a cautela rigorosa e a observação constante das condições climáticas, evitando a exposição em períodos de maior instabilidade.