Clima

Mar Mediterrâneo registra a temperatura de superfície mais alta desde 1940

06 de Setembro de 2026 às 15:08 3 min de leitura

O Mar Mediterrâneo registrou a temperatura de superfície mais alta desde 1940, atingindo 28,54 graus em 13 de agosto. O aquecimento causou a redução de 40% do fitoplâncton no noroeste da região e a degradação de ecossistemas como as pradarias de *Posidonia oceanica

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Mar Mediterrâneo registra a temperatura de superfície mais alta desde 1940
Barcelona

O Mar Mediterrâneo atingiu a temperatura mais alta já documentada desde 1940, com a superfície registrando 28,54 graus no dia 13 de agosto, segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet). O aquecimento anômalo persistiu durante quase todo o mês de agosto, apresentando condições térmicas que normalmente ocorrem apenas no final de junho.

A costa catalã e a região noroeste do Mediterrâneo consolidaram-se como pontos críticos dessa crise. Em agosto, a estação de Barcelona registrou 30,5 ºC, valor 3 ºC acima da média histórica, enquanto Tarragona chegou a 30,7 ºC. Em l'Estartit, foram detectadas anomalias térmicas de quase 4 ºC a 20 metros de profundidade, tornando as ondas de calor marinhas um evento recorrente no verão.

Riscos meteorológicos e infraestrutura

O acúmulo de calor na superfície altera a física do oceano, acelerando o ciclo da água e provocando a estratificação da coluna hídrica. Nesse cenário, a camada superficial, mais quente e salina, deixa de se misturar com as águas profundas e frias.

Essa configuração transforma o mar em um combustível para a atmosfera. Quando massas de ar frio entram em contato com essas águas aquecidas durante o outono, o risco de chuvas torrenciais e tempestades violentas aumenta significativamente. Esse fenômeno potencializa a ocorrência de eventos como a DANA, capazes de causar danos severos a infraestruturas terrestres.

Impactos na biodiversidade e economia

A ausência de mistura térmica impede que nutrientes do fundo do mar subam para a superfície, resultando em uma queda de 40% no fitoplâncton do Mediterrâneo noroeste nos últimos 20 anos. A escassez na base da cadeia alimentar impacta a viabilidade econômica da pesca local, exemplificada pela redução de 60% nas reservas energéticas de filhotes de bacalhau.

O processo de tropicalização do ecossistema promove a substituição da fauna nativa por espécies invasoras:

  • Turismo: Aumento da presença de medusas nas zonas costeiras.
  • Biodiversidade: No leste do Mediterrâneo, o peixe cone (espécie herbívora invasora) destruiu bosques de algas nativas, reduzindo a biomassa em áreas rochosas, movimento que agora avança para o oeste.

Degradação de ecossistemas críticos

Relatórios do WWF indicam que ecossistemas essenciais atingiram um ponto crítico. As pradarias de Posidonia oceanica, que protegem a costa e armazenam entre 11% e 42% das emissões de carbono dos países da região, estão desaparecendo devido ao aumento da temperatura, à subida do nível do mar e à invasão de algas.

A fragilidade ambiental é agravada por:

  • Morte de corais: Tempestades intensas destruíram até 30% das colônias de gorgônias em regiões como a Ligúria.
  • Extinção de espécies: A Pinna nobilis (nacra) enfrenta a extinção devido à propagação de patógenos favorecidos por águas mais quentes.

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