Clima

Oceanos atingem a temperatura de superfície mais alta já registrada pelos sistemas de observação modernos

26 de Agosto de 2026 às 12:26

A temperatura da superfície dos oceanos atingiu o recorde de 21,1 graus Celsius em agosto, segundo o Serviço de Mudança Climática da Copérnico. O aquecimento decorre da combinação entre o El Niño e as emissões humanas. Atualmente, ondas de calor marinhas afetam cerca de 42% das águas globais

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Oceanos atingem a temperatura de superfície mais alta já registrada pelos sistemas de observação modernos
YouTube/uOttawa FSS

As águas dos oceanos atingiram em agosto a temperatura de superfície mais alta já registrada pelos sistemas de observação modernos, alcançando aproximadamente 21,1 graus Celsius. O dado, divulgado pelo Serviço de Mudança Climática da Copérnico (C3S), revela um aquecimento excepcional que foge ao padrão sazonal, já que os picos globais de temperatura costumam ocorrer entre março e abril.

Este cenário é resultado da soma entre o fenômeno natural El Niño, que está particularmente intenso, e o aquecimento sistêmico provocado por décadas de emissões humanas.

Impacto geológico e climático

A magnitude do aquecimento atual sugere que os oceanos podem ter atingido a temperatura mais elevada de todo o Holoceno, período iniciado há cerca de 11.700 anos. Ryan Katz-Rosene, professor de estudos ambientais da Universidade de Ottawa, indica que as águas podem não ter estado tão quentes nos últimos 125.000 anos, aproximando-se de níveis vistos no último período interglacial.

A pressão sobre o sistema marinho reflete-se na frequência de eventos extremos. Desde o início da década de 1990, o número de dias de ondas de calor marinhas em escala global cresceu mais de três vezes. Atualmente, cerca de 42% dos oceanos do mundo enfrentam essas condições, aproximando-se do recorde de 46% registrado em 2024, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

Consequências ambientais e riscos

O aquecimento contínuo reduz a capacidade dos oceanos de absorver o dióxido de carbono da atmosfera, potencializando o efeito estufa. Além disso, a elevação térmica favorece a ocorrência de tempestades e chuvas intensas, aumentando a vulnerabilidade de ecossistemas costeiros e marinhos.

Para mitigar esses efeitos, Brian O’Donnell, diretor da Campaign for Nature, aponta a necessidade urgente de duas medidas: a redução rápida das emissões de combustíveis fósseis e a implementação de políticas de proteção para os ecossistemas costeiros e marinhos.

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