Clima

Onda de calor extremo atinge a Europa e deixa pelo menos 50 mortes

24 de Junho de 2026 às 15:04

Onda de calor extremo na Europa causou ao menos 50 mortes e deve afetar 94 milhões de pessoas nesta quarta-feira (24). França e Espanha registram temperaturas acima de 43°C, enquanto Reino Unido e Itália preveem picos térmicos e alertas de saúde. O fenômeno provocou interrupções em transportes, fechamento de escolas e instabilidade energética

Uma onda de calor extremo atinge a Europa, resultando em pelo menos 50 mortes e afetando a rotina de milhões de pessoas. Apenas nesta quarta-feira (24), a previsão é que 94 milhões de habitantes enfrentem temperaturas superiores a 35°C, com maior incidência na Espanha e na França.

Na França, o cenário é crítico: 90% da população vive em áreas sob alerta laranja ou vermelho. O país registrou nesta terça-feira (23) a madrugada mais quente de sua história, com termômetros acima de 25°C, e a temperatura máxima pode chegar a 43°C no oeste. O impacto humano é severo, com 48 mortes por afogamento de pessoas que tentavam se refrescar, a maioria jovens, além do óbito de três idosos entre 80 e 95 anos em Bordeux e de duas crianças, de 2 e 4 anos, vítimas de insolação em Carpentras.

A infraestrutura francesa sofre com a instabilidade energética, especialmente na região da Bretanha, onde as autoridades trabalham para restabelecer a luz em milhares de residências. O transporte ferroviário também foi afetado, com cancelamentos de trens, inclusive no trecho entre Paris e Bruxelas. Na capital francesa, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre encerraram as atividades às 16h de terça-feira, enquanto a prefeitura disponibilizou ingressos de cinema gratuitos para jovens com menos de 25 anos e idosos acima de 65 anos como medida de acolhimento em locais climatizados. No setor produtivo, agricultores adotaram turnos noturnos de colheita para evitar incêndios e proteger trabalhadores, enquanto granjas na Bretanha e no Pays de la Loire registraram a morte de milhares de aves.

Na Espanha, a agência meteorológica emitiu alertas vermelhos para diversas regiões, com previsão de temperaturas atingindo 44°C. O estado de alerta abrange quase todo o território, com destaque para a Cantábria, o País Basco e a Andaluzia. Em Madri, a prefeitura instalou abrigos climáticos com água, alimentos e higiene para pessoas em situação de rua. No norte do país, municípios cancelaram fogueiras tradicionais para prevenir incêndios florestais. No âmbito trabalhista, o sindicato de enfermagem SATSE reportou que temperaturas em unidades de saúde na Andaluzia e no norte superam os 30°C, extrapolando o limite legal de 27°C. Além disso, dois idosos morreram por insolação no país.

No Reino Unido, o Met Office alertou que as temperaturas podem ultrapassar 39°C nos próximos dois dias no centro e sul da Inglaterra, superando recordes de junho de 1957 e 1976. O calor provocou o fechamento antecipado ou a suspensão de aulas em mais de mil escolas nesta quarta-feira (24), já que prédios antigos não possuem isolamento térmico adequado.

A Itália projeta um agravamento da situação, com o pico da onda de calor esperado entre domingo e segunda-feira, especialmente no norte e centro. Entre a Emília-Romanha e a Toscana, os termômetros podem chegar a 41°C, com sensação térmica de 45°C. O Ministério da Saúde emitiu alerta máximo para 15 cidades, incluindo Roma. Em Turim, a empresa Iren dobrou a escala de trabalho e instalou geradores para mitigar cortes de energia causados pela sobrecarga da rede.

O impacto econômico reflete-se no consumo: varejistas de todo o continente enfrentam alta demanda por condicionadores de ar e ventiladores. A rede Tesco, na Grã-Bretanha, projeta um crescimento de 72% nas vendas de protetor solar e de 48% em sorvetes e picolés nesta semana. Para proteger a força de trabalho, empreiteiras de construção civil em diversos países alteraram seus horários de serviço.

Notícias Relacionadas