Clima

Organização Meteorológica Mundial alerta para El Niño com intensidade inédita nos últimos 40 anos

21 de Outubro de 2026 às 12:00 2 min de leitura

A Organização Meteorológica Mundial alerta para um El Niño com intensidade inédita nos últimos 40 anos. O Pnuma indica que a temperatura global pode subir 2,8 °C até 2100, superando a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris. O relatório defende cortes drásticos nas emissões de gases de efeito estufa para mitigar o aquecimento

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Organização Meteorológica Mundial alerta para El Niño com intensidade inédita nos últimos 40 anos
© REUTERS/DAVID SWANSON/ PROIBIDO REPRODUÇÃO

A Organização Meteorológica Mundial alerta para a possibilidade de um fenômeno El Niño com intensidade inédita, superando todos os registros monitorados nos últimos 40 anos. A instabilidade climática deve provocar alterações drásticas nos regimes de precipitação, resultando em secas severas em determinadas localidades e inundações em outras, além de ondas de calor generalizadas.

Metas de emissões e aquecimento global

Paralelamente aos eventos climáticos imediatos, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta a necessidade de cortes drásticos na emissão de gases de efeito estufa para mitigar o aquecimento do planeta. Para atingir o cenário mais favorável, as reduções deveriam ser de:

  • 18% até 2030 (em relação aos níveis de 2025);
  • 45% até 2035;
  • 69% até 2040.

Atualmente, as políticas nacionais implementadas preveem reduções significativamente menores, estimadas entre 5% e 8% até 2030, e entre 11% e 15% até 2035.

Projeções de temperatura e Acordo de Paris

As estimativas atuais indicam que a temperatura global pode subir 2,8 °C até 2100. Caso os compromissos climáticos vigentes sejam integralmente cumpridos, esse aumento cairia para 2,6 °C. Ambos os números superam as projeções do ano anterior, reflexo da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e de revisões nas emissões históricas.

O tratado de 2015 estabeleceu a meta de manter o aquecimento médio bem abaixo de 2 °C, com preferência por 1,5 °C. No entanto, o Pnuma avalia que limitar a temperatura a 1,5 °C sem ultrapassagens não é mais viável. A alternativa proposta é um cenário de "ultrapassagem mais baixa possível", que oferece 50% de chance de as temperaturas retornarem ao patamar de 1,5 °C até o final do século.

Desafios para a COP31

Com a proximidade da COP31, que ocorrerá na Turquia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a urgência de conter as emissões para reduzir a frequência de incêndios e desastres naturais. Guterres defende que, mesmo com a meta inicial comprometida, é possível minimizar a duração e a intensidade do aumento térmico.

O relatório do Pnuma ressalta que os planos climáticos recentes não alteraram as projeções de aquecimento e que a retomada da meta de 1,5 °C dependeria de processos de remoção de carbono em larga escala, tecnologia cuja viabilidade técnica ainda é incerta.

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