Economia

André Lara Resende defende redução da taxa Selic para estabilizar as contas públicas do Brasil

03 de Novembro de 2026 às 07:18 3 min de leitura

O economista André Lara Resende afirma que a taxa Selic em 13,75% ao ano causa o desequilíbrio fiscal brasileiro. O custo dos juros consumiu R$ 1,1 trilhão do orçamento nos últimos 12 meses, equivalendo a 8,9% do PIB. O especialista propõe a criação de um novo regime com metas conjuntas de inflação e juros

-0:00
André Lara Resende defende redução da taxa Selic para estabilizar as contas públicas do Brasil
© GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

Os juros reais do Brasil, atualmente os mais altos do mundo segundo ranking da Moneyou, são apontados pelo economista André Lara Resende como a causa central do desequilíbrio fiscal do país. Em artigo publicado no Substack, um dos formuladores do Plano Real defende que a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano baseia-se em teorias anacrônicas e que a redução desse indicador é a única solução viável para estabilizar as contas públicas.

Nos últimos 12 meses, o custo dos juros consumiu mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento brasileiro, o que representa 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Impacto na Dívida Pública e Déficit Fiscal

A dívida pública brasileira apresentou crescimento, saltando de 71,7% do PIB em 2022 para aproximadamente 82,9% em agosto de 2026. Enquanto analistas do mercado financeiro defendem o corte de despesas da União para conter esse avanço, Lara Resende argumenta que o problema não reside nos gastos primários — despesas com serviços públicos.

O economista destaca que, exceto no período da pandemia, o resultado primário foi apenas ligeiramente negativo, evidenciando que as contas estariam praticamente equilibradas se fosse excluído o serviço da dívida. No entanto, o déficit nominal, impulsionado pelos juros, permanece elevado, aproximando-se de 10% do PIB.

Embora reconheça a alocação irracional de recursos em isenções tributárias, vantagens salariais do Judiciário e emendas parlamentares, o especialista sustenta que nenhum corte de gastos é capaz de interromper a trajetória da dívida sem que os juros sejam reduzidos para patamares próximos à taxa de crescimento nominal da economia.

Divergências sobre a Inflação

O Banco Central (BC) justifica a Selic elevada como ferramenta necessária para conter a inflação, sob a premissa de que juros altos inibem a demanda e o crescimento econômico, forçando a queda dos preços. Em atas do Comitê de Política Monetária (Copom), a autoridade monetária atribui a pressão inflacionária ao aquecimento do mercado de trabalho, à trajetória dos gastos públicos e à falta de disciplina fiscal.

Lara Resende contesta essa tese, afirmando que a relação inversa entre desemprego e inflação não é mais válida. Para o economista, embora a redução dos juros possa gerar um aumento inflacionário, esse efeito seria transitório e de curto prazo.

Proposta de Novo Regime Monetário

Para solucionar o impasse, o ex-presidente do BNDES propõe a implementação de um novo regime fiscal e monetário. A sugestão consiste em um planejamento conjunto de metas de inflação e de juros com horizonte de quatro a cinco anos.

Nesse modelo, o Banco Central assumiria o compromisso de manter a taxa básica dentro de um intervalo entre a meta de inflação (3%) e a taxa de crescimento nominal potencial. Para evitar a depreciação acentuada do real, Lara Resende sugere a intervenção do BC no mercado de câmbio, utilizando as reservas internacionais, que superam US$ 350 bilhões.

Notícias Relacionadas