Anthropic destina 350 milhões de dólares para estudar impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho
A Anthropic investiu 350 milhões de dólares para estudar o impacto da inteligência artificial no emprego. A empresa propôs três cenários de desemprego, com medidas que variam de auxílio à formação profissional até a implementação de renda básica. O plano sugere a criação de novas taxas sobre o uso de IA e impostos para financiar as redes de proteção social
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F310%2F5a5%2Fd12%2F3105a5d122f8a2220ae3bce960340fdf.jpg)
A Anthropic destinou 350 milhões de dólares para estudar mecanismos de resposta ao impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, reconhecendo que o deslocamento de profissionais pode ser uma consequência intrínseca da tecnologia. A empresa, desenvolvedora do Claude, estruturou um quadro de política econômica com três cenários de desemprego para orientar a adaptação das redes de proteção social, admitindo que a automação pode alterar a dinâmica laboral em velocidade superior à capacidade de resposta das instituições.
No primeiro cenário, com a taxa de desemprego atingindo cerca de 5%, a proposta foca em medidas preventivas. As ações incluem a ampliação de contas de capital abertas ao nascimento, auxílio à formação profissional, reformas em licenças de trabalho e a implementação de seguros salariais. A estratégia prevê ainda a criação de incentivos para companhias que optem pela recolocação de funcionários em vez da substituição imediata por ferramentas de IA.
Caso o desemprego suba para 10%, o segundo cenário prioriza o reforço do seguro-desemprego e a oferta de apoios específicos para os setores mais atingidos. Diante da incerteza sobre se a reestruturação do trabalho seria temporária ou resultaria em uma demanda duradoura menor por mão de obra humana, a empresa sugere auxílios para necessidades básicas e a possibilidade de retardar a implementação da IA para evitar danos bruscos.
O cenário mais crítico projeta um desemprego sem precedentes, utilizando como referência os 25% registrados nos Estados Unidos durante a Grande Depressão de 1933. Para este nível de crise, a Anthropic defende que as respostas tradicionais seriam insuficientes, propondo a substituição de renda para grande parte da população ativa. As alternativas citadas abrangem a renda básica, fundos soberanos atrelados à produtividade da IA e modelos de participação acionária para trabalhadores.
Para financiar tais medidas, o documento sugere novas fontes de receita pública, como o aumento de impostos sobre lucros e consumo, a criação de taxas setoriais sobre o uso de IA — mensuradas por renda, computação ou tokens — e o desenvolvimento de dividendos digitais custeados pelo setor tecnológico.
Embora a análise seja centrada nos Estados Unidos, a Anthropic defende a aplicação global desses princípios e busca integrar a discussão à agenda do G7 e à cúpula sobre IA em Genebra. A iniciativa reflete a incapacidade de prever com precisão o volume de postos de trabalho extintos, tentando converter essa incerteza em um planejamento político e econômico antecipado.