Economia

Apostas digitais retiram até 141 bilhões de reais da atividade econômica brasileira em 2025

17 de Setembro de 2026 às 09:56 2 min de leitura

Apostas digitais retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025, reduzindo o PIB em até 1,1%. O estudo da FEA/USP indica um déficit público entre R$ 22 bilhões e R$ 46 bilhões e aumento da concentração de renda

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Apostas digitais retiram até 141 bilhões de reais da atividade econômica brasileira em 2025
© ANTÔNIO CRUZ/ AGÊNCIA BRASIL

As apostas digitais, conhecidas como bets, retiraram da atividade econômica brasileira entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões no ano de 2025. O montante, identificado em estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da FEA/USP, representa uma queda de 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

O impacto financeiro equivale a 40% ou 50% de todo o crescimento da economia previsto para 2025, superando em cinco vezes as estimativas de perda causadas pelo tarifaço americano sobre o PIB nacional. A pesquisa destaca que a criação de empregos diretos e indiretos vinculados ao setor de apostas não altera a magnitude do prejuízo econômico.

Impacto nas contas públicas e saúde

Embora as plataformas de apostas tenham gerado uma arrecadação direta de R$ 9 bilhões, o efeito líquido para as contas públicas permanece negativo. A perda de atividade econômica provocada pelas bets supera a receita arrecadada, resultando em um déficit estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 46 bilhões.

Para fins de comparação, esse valor negativo representa de 10% a 20% de todo o orçamento de saúde pública do estado de São Paulo para 2025.

Endividamento e concentração de renda

O estudo aponta que as apostas podem ter impulsionado o endividamento das famílias. Em um cenário extremo, se a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por crédito, isso representaria 14% do aumento do endividamento de pessoas físicas, que subiu cerca de R$ 450 bilhões.

A dinâmica das bets também aprofundou a desigualdade social. A transferência de renda das famílias para as casas de aposta elevou a concentração de riqueza do 1% mais rico da população — grupo que já detém 24% da renda nacional — em um intervalo de 0,5% a 2,1%.

A variação depende de quem recebe os lucros das plataformas: no cenário mais conservador, houve a retirada de R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base populacional; no cenário mais amplo, esse valor foi somado à renda da minoria no topo da pirâmide.

Consequências macroeconômicas

A análise conclui que o fenômeno extrapola o prejuízo individual, gerando reflexos macroeconômicos. A retirada de renda, especialmente das camadas mais pobres, reduz a demanda interna, afeta o PIB e compromete a arrecadação fiscal, intensificando a desigualdade econômica no país.

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