Argentina registra a menor taxa de inflação em oito anos sob a gestão de Javier Milei
A Argentina registrou a menor inflação em oito anos, com queda para 31,5% em 2025 após a implementação do Plano Motosserra. O período teve crescimento do PIB de 4,4%, mas o desemprego subiu para 7,9% e a pobreza atingiu um terço da população
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A Argentina registrou a menor taxa de inflação em oito anos, com a queda do indicador de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025. O resultado é fruto do Plano Motosserra, implementado por Javier Milei desde 2023, que priorizou o equilíbrio das contas públicas por meio de cortes profundos em gastos, fim de subsídios, desregulamentação e a desvalorização do peso argentino.
Sob essa gestão, o país passou a arrecadar mais do que gasta, revertendo déficits fiscais e recuperando saldos positivos no comércio exterior com o crescimento das exportações. O mercado financeiro reagiu com otimismo inicial: em 2024, o S&P Merval saltou 174% em pesos e quase 115% em dólares. No ano seguinte, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 4,4%.
Impactos sociais e retração econômica
Apesar da estabilização macroeconômica, o ajuste rigoroso impactou a atividade interna e a renda das famílias. O crescimento do PIB concentrou-se em setores de baixa absorção de mão de obra, como mineração e energia (especialmente no polo de Vaca Muerta), enquanto a indústria e o setor público recuaram.
Os reflexos no mercado de trabalho e no consumo são evidentes:
- Desemprego: atingiu 7,9%, o maior patamar desde 2021.
- Empresas: mais de 32 mil negócios fecharam ou reduziram o quadro de funcionários registrados.
- Pobreza: após recuar no segundo ano de governo, voltou a atingir um terço da população.
A remoção de subsídios em serviços essenciais, como transporte, energia, água e gás, elevou os custos para o consumidor final. Esse cenário resultou no aumento da informalidade e no retorno de práticas de escambo em regiões vulneráveis.
Risco político e volatilidade do mercado
A euforia dos investidores deu lugar à cautela em 2026, com o S&P Merval acumulando queda de 6,6% até outubro. O cenário é pressionado por fatores externos, como juros altos nos Estados Unidos e conflitos globais, e por instabilidades internas, incluindo a dificuldade em acumular reservas em dólar e a perda de capital político de Milei.
A desaprovação do governo cresceu, especialmente entre a população de baixa renda (até US$ 650 mensais), onde a rejeição saltou de 57% para quase 70%. No total da população, a desaprovação é de 58%, contra 38,1% de aprovação, em um contexto de protestos de estudantes e professores por verbas para universidades públicas.
Reflexos no debate econômico brasileiro
O modelo argentino tornou-se ponto central de polarização nas eleições brasileiras. Flávio Bolsonaro defende a política de Milei como exemplo de recuperação de um país falido, propondo um "tesouraço" para reduzir impostos e enxugar a máquina pública no Brasil. Em contrapartida, a campanha de Lula utiliza os custos sociais da Argentina — como a pobreza e a reforma trabalhista que permite jornadas de 12 horas — para alertar sobre os riscos de medidas severas.
Embora o Brasil enfrente desafios fiscais, com a dívida bruta do setor público atingindo R$ 11,05 trilhões em agosto (82,9% do PIB), a análise técnica indica que as realidades são distintas. O Brasil possui maior diversificação econômica, reservas internacionais consolidadas e baixa dolarização, o que permitiria um ajuste gradual e previsível, evitando a ruptura brusca na renda e na atividade econômica observada no país vizinho.