Arrecadação federal atinge recorde histórico de 264,4 bilhões de reais em junho
A arrecadação federal atingiu recorde histórico em junho com R$ 264,4 bilhões, alta real de 7,7% sobre o ano anterior. O resultado foi impulsionado pela valorização do petróleo e medidas tributárias, totalizando R$ 1,6 trilhão no primeiro semestre
A arrecadação federal atingiu o patamar histórico de R$ 264,4 bilhões em junho, o maior volume registrado para este mês desde que a série histórica da Receita Federal foi iniciada, em 1995. O montante representa uma alta real de 7,7% em comparação a junho do ano anterior, quando a receita foi de R$ 245,5 bilhões, valor já ajustado pela inflação.
Impacto do petróleo e medidas fiscais
O resultado recorde é impulsionado pelo crescimento da economia e por medidas tributárias implementadas pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os fatores determinantes, destaca-se a valorização do petróleo, influenciada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevou as receitas provenientes de extração e royalties.
Apenas em junho, a arrecadação com o imposto de exportação sobre o petróleo somou R$ 3,8 bilhões. Já as receitas não administradas — que incluem concessões, permissões, cotas-parte e compensações financeiras por recursos naturais — registraram um incremento de R$ 1,2 bilhão.
A base de receitas também foi ampliada por diversas alterações fiscais, tais como:
- Majoração da tributação sobre juros sobre capital próprio, fundos exclusivos e offshores;
- Reoneração gradual da folha de pagamentos e taxação de bets;
- Elevação do IOF sobre câmbio e crédito;
- Manutenção da alta de impostos sobre combustíveis estabelecida em 2023;
- Extinção de benefícios do Perse (setor de eventos) e mudanças em subvenções estaduais.
Desempenho no primeiro semestre
No acumulado de janeiro a junho, a arrecadação totalizou R$ 1,59 trilhão em valores nominais. Quando corrigido pela inflação, o montante sobe para R$ 1,6 trilhão, estabelecendo um novo recorde para o período. O crescimento real foi de 6,6% frente ao primeiro semestre do ano passado, que fechou em R$ 1,51 trilhão.
Metas fiscais e projeções para 2026
O governo pretende utilizar a expansão das receitas para buscar o cumprimento da meta fiscal de 2026. Para o ano corrente, o objetivo é um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 34,3 bilhões.
Conforme as regras do arcabouço fiscal de 2023, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. Dessa forma, a meta é considerada atingida se o resultado final for zero ou se houver um superávit de R$ 68,6 bilhões.
Entretanto, a legislação permite a exclusão de R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo oficial, como o pagamento de precatórios. Na prática, essa dinâmica indica que o governo poderá registrar um déficit de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, mesmo que a meta formal seja cumprida. Caso esse cenário se confirme, as contas públicas permanecerão negativas durante todo o terceiro mandato presidencial.