Economia

Balança comercial brasileira registra superávit de 7,74 bilhões de dólares em setembro

07 de Outubro de 2026 às 07:00 3 min de leitura

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, com exportações de US$ 34,42 bilhões e importações de US$ 26,68 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 61,09 bilhões, o maior valor histórico para o mês. O resultado foi impulsionado por altas no petróleo bruto, combustíveis e farelos de soja

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Balança comercial brasileira registra superávit de 7,74 bilhões de dólares em setembro
© TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

A balança comercial brasileira encerrou setembro com um superávit de US$ 7,74 bilhões, resultado que representa um salto de 146,4% em comparação aos US$ 3,14 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O desempenho foi sustentado por uma alta de 12,9% nas exportações, que somaram US$ 34,42 bilhões, enquanto as importações recuaram 2,4%, totalizando US$ 26,68 bilhões.

Com esses números, a corrente de comércio — soma de vendas e compras externas — atingiu US$ 61,09 bilhões. Este é o maior valor já registrado para o mês de setembro na série histórica e o segundo maior volume mensal global, superado apenas por junho deste ano, que alcançou US$ 61,99 bilhões.

Desempenho por setores e produtos

O crescimento das vendas externas foi puxado principalmente pela indústria extrativa, que registrou US$ 9,44 bilhões (alta de 39,8%). Nesse segmento, destacaram-se o petróleo bruto, com expansão de 77,3%, impulsionado pelo aumento da produção e pela alta de 24,7% nos preços médios devido ao conflito no Oriente Médio, e o minério de cobre, com alta de 74,2%.

A indústria de transformação faturou US$ 17,67 bilhões (+5,3%), com destaque para os combustíveis (+39,1%) e os farelos de soja (+47,7%). Já a agropecuária somou US$ 7 bilhões (+4,8%), com crescimento nas vendas de soja (+11,9%) e café não torrado (+8,7%). Houve ainda uma variação expressiva em centeio e aveia, que saltaram de US$ 407 mil para US$ 127,8 milhões devido a ajustes no cronograma de embarques.

Fluxo de mercados internacionais

As vendas brasileiras apresentaram comportamentos distintos conforme a região:

  • Europa: US$ 8,3 bilhões (+51,9%), impulsionada por alimentos via acordo com o Mercosul.
  • América do Norte: US$ 5,2 bilhões (+30,6%).
  • América do Sul: US$ 4,2 bilhões (estável).
  • Ásia: US$ 17,4 bilhões (-2,5%).

No mercado norte-americano, as exportações subiram 31,9% em setembro, apesar da implementação de novas tarifas sobre produtos do Brasil. Contudo, no acumulado do ano, as vendas para os Estados Unidos apresentam queda de 6,5%.

Importações e investimentos

As compras do Brasil no exterior recuaram 2,4% no mês. O setor de bens de capital teve a maior queda, com recuo de 29,8% (US$ 4,1 bilhões), reflexo da desaceleração econômica e dos juros altos, que reduziram a compra de máquinas pela indústria.

Os bens intermediários somaram US$ 14,9 bilhões (-2,4%), enquanto os bens de consumo subiram 11,5%, totalizando US$ 4,3 bilhões. Já a importação de combustíveis cresceu 41,2% (US$ 3,4 bilhões), puxada por um aumento de 58,2% nos preços.

Balanço anual e projeções para 2026

Entre janeiro e setembro, o saldo comercial acumulado é de US$ 62,4 bilhões, com exportações de US$ 264,65 bilhões (+10,4%) e importações de US$ 222,26 bilhões (+5%).

Para o fechamento de 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou a estimativa de superávit comercial para US$ 84,4 bilhões, reduzindo a projeção anterior de US$ 90 bilhões. A previsão de exportações caiu para US$ 382,5 bilhões e a de importações para US$ 298,1 bilhões.

Se confirmado, o resultado de 2026 será o segundo maior da história desde 1989, ficando atrás apenas de 2023 (US$ 98,8 bilhões). Essa estimativa do governo é superior à do boletim Focus do Banco Central, que projeta um superávit de US$ 78,3 bilhões para o ano.

Com informações de Agência Brasil

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