Economia

Banco Central da China autoriza pagamentos em yuan por meio do Standard Bank na África

05 de Julho de 2026 às 15:01

O Banco Central da China autorizou o Standard Bank a realizar pagamentos diretos em yuan em parceria com o ICBC. A medida visa facilitar transações comerciais entre empresas africanas e chinesas para reduzir a dependência do dólar

Banco Central da China autoriza pagamentos em yuan por meio do Standard Bank na África
© VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL/ARQUIVO

O Banco Central da China autorizou, no final de junho, a realização de pagamentos diretos em yuan por meio do Standard Bank, maior grupo bancário da África e com sede na África do Sul. A operação ocorre em parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e visa viabilizar a liquidação de transações comerciais entre empresas africanas e chinesas utilizando a moeda de Pequim ou moedas locais, reduzindo a dependência do dólar. O Standard Bank opera atualmente em 21 países do continente.

A iniciativa ocorre em um cenário de forte expansão comercial, já que a China é a principal parceira da África, com um crescimento médio de 14% ao ano nas trocas bilaterais entre 2000 e 2024, segundo a Administração Geral de Alfândegas (GAC) da China. Para impulsionar ainda mais esse fluxo, o governo chinês isentou, em 1º de maio, as taxas de importação de produtos originários de nações africanas.

Apesar da ampliação da infraestrutura financeira, o uso do yuan permanece minoritário no continente. A moeda chinesa detém cerca de 8,5% das transações globais, ocupando a quinta posição no comércio mundial. O cenário de desdolarização imediata é improvável, pois commodities essenciais, como alimentos e energia, continuam sendo negociadas majoritariamente em dólares.

A hesitação de Pequim em acelerar a substituição do dólar deve-se ao volume de reservas internacionais mantidas na moeda americana e à necessidade de preservar a competitividade de suas exportações através do controle do valor do yuan. Além disso, a China evita a abertura de sua conta de capitais para proteger seu sistema financeiro contra a especulação global. Uma desvalorização abrupta do dólar representaria prejuízos significativos tanto para o Estado quanto para as empresas chinesas, tornando necessária uma transição gradual.

Essa movimentação alinha-se a discussões do bloco Brics sobre a desdolarização para mitigar as vantagens políticas e econômicas dos Estados Unidos, que utiliza a hegemonia monetária para aplicar sanções e embargos. A dependência do dólar impacta diretamente países pobres, pois a elevação dos juros pelo Banco Central dos EUA desvaloriza moedas locais e encarece a importação de itens básicos, como milho, arroz e trigo.

Como alternativa ao uso exclusivo do yuan, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, propôs a criação de uma moeda de reserva para o comércio internacional. A sugestão consiste em uma unidade de conta baseada em uma cesta de moedas de países do Sul Global, que posteriormente seria convertida em uma nova moeda, evitando a substituição direta do dólar pelo yuan.

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